domingo, 14 de junho de 2009

sábado, 13 de junho de 2009

Viva o Santo António!!



Que seria de mim meu Deus
Sem a fé em Antônio
A luz desceu do céu
Clareando o encanto
Da espada espelhada em Deus
Viva viva meu santo

Saúde que foge
Volta por outro caminho
Amor que se perde
Nasce outro no ninho
Maldade que vem e vai
Vira flor na alegria
Trezena de julho
É tempo sagrado
Na minha Bahia

Que seria de mim meu Deus
Sem a fé em Antônio
A luz desceu do céu
Clareando o encanto
Da espada espelhada em Deus
Viva viva meu santo

Antônio querido
Preciso do seu carinho
Se ando perdido
Mostre-me um novo caminho
Nas tuas pegadas claras
Trilho o meu destino
Estou nos teus braços
Como se fosse
Deus menino

Que seria de mim meu Deus
Sem a fé em Antônio
A luz desceu do céu
Clareando o encanto
Da espada espelhada em Deus
Viva viva meu santo

Que seria de mim meu Deus...

Maria Bethania

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Profecias do Manjerico…

P'rós Meninos:

"Se ateares fogueira em festão ou altar…
acabas nos Olivais e em Cernache a rezar
!"
Bombeiros Voluntários de Colares



P'rá Menina:

"(…)Quem hoje, desprezada, o lume ampara,
por ela o lume ardeu, temente e pio
."
António Sardinha

quinta-feira, 11 de junho de 2009

FLORES AMARELAS



Um dia, ouvi o seguinte:
- Estas flores aqui dão cheiro; aquelas ali não, são amarelas.
Só então me lembrei que era o dia de corpus christi.
E não pedi nenhuma explicação.

Ruy Belo

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Escavar um lugar para a saída...



Homens que são como lugares mal situados
Homens que são como casas saqueadas
Que são como sítios fora dos mapas
Como pedras fora do chão
Como crianças órfãs
Homens sem fuso horário
Homens agitados sem bússola onde repousem

Homens que são como fronteiras invadidas
Que são como caminhos barricados
Homens que querem passar pelos atalhos sufocados
Homens sulfatados por todos os destinos
Desempregados das suas vidas

Homens que são como a negação das estratégias
Que são como os esconderijos dos contrabandistas
Homens encarcerados abrindo-se com facas

Homens que são como danos irreparáveis
Homens que São sobreviventes vivos
Homens que são como sítios desviados
Do lugar

Homens que trabalham sob a lâmpada
Da morte
Que escavam nessa luz para ver quem ilumina
A fonte dos seus dias

Homens muito dobrados pelo pensamento
Que vêm devagar como quem corre
As persianas
Para ver no escuro a primeira nascente

Homens que escavam dia após dia o pensamento
Que trabalham na sombra da copa cerebral
Que podam a pedra da loucura quando esmagam as pupilas
Homens todos brancos que abrem a cabeça
À procura dessa pedra definida

Homens de cabeça aberta exposta ao pensamento
Livre. Que vêm devagar abrir
Um lugar onde amanheça.
Homens que se sentam para ver uma manhã
Que escavam um lugar
Para a saída.


Daniel Faria in "HOMENS QUE SÃO COMO LUGARES MAL SITUADOS", 1998.

terça-feira, 9 de junho de 2009

...sei que tem mais que fazer



São muitas as suas influências pictóricas, literárias, cinematográficas. Mas dentro de si há algo que faz mover tudo.
A minha interioridade não é para se ouvir, mas para se ver. Está ali, nos quadros.

Existe uma correspondência entre o espírito e a mão, de que falavam os surrealistas?
É automático. Quer se queira quer não, as coisas saem de nós. O pastel, por ser tão físico, liberta-me. A questão espiritual, não sei, Nosso Senhor e os anjos da guarda?... Gosto do anjo da guarda. Estava bem arranjada...

Está a falar de Deus? Deus existe também. Como é o seu Deus?
É mais o anjo da guarda. Salva-nos de muita coisa. E está ali, nos quadros.

Deus tem barbas brancas?
Não, mas é capaz de ser indiferente. Não sei se não nos ouve, sei que tem mais que fazer [risos].

In "Melancolia, riso e tragédia" Paula Rego entrevistada por Ana Marques Gastão,1997.


segunda-feira, 8 de junho de 2009

Cultivar o Céu


Uma ideia muito doce que acabei de receber!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

NOVA MOBILIZAÇÃO A FAVOR DA INFÂNCIA

"A HUMANIDADE DEVE DAR À CRIANÇA O QUE TEM DE MELHOR"
Eglantyne Jebb,Declaração de Genebra 1924


1. Por ocasião do 20º aniversário da adopção pela Assembleia das Nações Unidas da Convenção sobre os Direitos da Criança, nós, signatários do presente documento[1], lançamos um Apelo grave e urgente a uma nova mobilização a favor da criança.[2]

2. A Convenção marcou um momento histórico: permitiu lançar um novo olhar sobre a criança.[3] Desde a sua promulgação e ratificação pela quase totalidade dos países, as crianças devem ser consideradas como pessoas de pleno direito,verdadeiros sujeitos de direitos e titulares dos Direitos Humanos de forma inalienável e sem discriminação. Ao mesmo tempo, porque são frágeis e estão em crescimento, têm necessidade de protecção.

3. Segundo as organizações, os peritos, as personalidades signatárias deste Apelo, a transposição das normas da Convenção para os direitos nacionais e para as políticas levadas a cabo permitiu progressos reais.

4. Infelizmente os compromissos assumidos estão ainda muito longe de serem respeitados em todo o lado. As crianças são ainda consideradas com demasiada frequência como objectos de assistência ou destinatárias de alguns direitos que lhes foram concedidos como uma esmola. Ficam ainda demasiadas crianças no mundo à margem de todos os seus direitos, por vezes mesmo os mais fundamentais.

5. Crianças transformadas em soldados, crianças que trabalham em condições duras e perigosas, crianças maltratadas, violadas, objecto de todas as formas de violência, crianças obrigadas a fugir constantemente com ou sem a família diante de guerras, fome, cataclismos naturais, crianças abandonadas e rejeitadas por todos, reduzidas a viver na rua, crianças "feiticeiras", sem educação, sem pátria, sem documentos.

6. Crianças que são tornadas ainda mais vulneráveis pela fragilização das famílias, a urbanização desenfreada, a degradação do ambiente, a mundialização que cava as desigualdades. Hoje a crise económica que se difunde à escala do planeta aumenta as ameaças que pesam sobre milhões delas.


Há urgência.

7. Todas estas crianças têm algo em comum: foram "desenraizadas". Desenraizamento físico, por vezes brutal, do seu país ou do lugar onde deviam ter crescido; mas também desenraizamento psicossocial, mais íntimo, causando um choque mais profundo ainda, quando não recebem amor, não são escutadas, quando vivem à margem de uma família ou da sociedade, quando já não se inscrevem numa linhagem, herdeira de uma colectividade humana ligada à sua cultura e à sua história. Estas crianças encontram-se "desenraizadas" de um indispensável espaço humano de vida, da possibilidade de um crescimento equilibrado num ambiente de respeito afectuoso e verdadeiro.

8. Este desenraizamento deve interpelar-nos seriamente; deve ser melhor compreendido, melhor estudado nas suas causas e nas suas graves consequências para a humanidade presente e futura.

9. Tais situações não são nem excepcionais nem reservadas a este ou àquele país: milhões de crianças no mundo vivem essa dramática perda de referências que inevitavelmente as priva também dos seus direitos.

10. Propomos adoptar uma abordagem renovada da criança que tenha em conta as suas necessidades mais profundas, assim como o seu direito à vida e a um desenvolvimento integral, incluindo a dimensão espiritual.

11. Apesar desta sombria realidade das crianças desenraizadas, ficamos muitas vezes surpreendidos: algumas crianças dão provas de vitalidade e de uma espécie de energia para resistir, se levantarem e ultrapassarem de uma forma positiva os graves desafios que a vida lhes impõe. Chamamos a essa capacidade que está nelas resiliência. Ela aumenta também as hipóteses de verem os seus direitos respeitados, porque as torna capazes de lutar para os defender.

12. Para dar todos os seus frutos, a resiliência ganha em ser desenvolvida e apoiada por diferentes factores:
• A inserção num meio familiar e comunitário verdadeiramente dedicado e que seja entendido como tal pela criança.
• Uma educação de qualidade, tanto na escola como no quadro da família e da comunidade.
• A pertença a uma família que possa assegurar, ainda que muito modestamente, as suas próprias necessidades.
• Uma verdadeira solidariedade vivida na família e na comunidade que abra a criança para a generosidade e para a esperança de poder sempre encontrar alguém que seja capaz de a ajudar.

13. O respeito e valorização do meio cultural de origem fornecem igualmente as referências indispensáveis para que a criança se estruture e possa aceder positivamente a outras culturas. A sua vida ganha outro sentido aos seus olhos. A dimensão religiosa que a criança pode ter recebido em pequenina deve ser preservada e desenvolvida - no respeito pela sua liberdade - pois constitui um recurso seguro para toda a sua vida.

14. Convém também favorecer a participação das crianças, a sua responsabilidade, o sentido dos seus deveres, a sua solidariedade; elas tornam-se então protagonistas da sua vida, fazem evoluir eficazmente os comportamentos tradicionais dos adultos e são as melhores embaixadoras dos direitos das crianças junto dos seus pares.

15. Uma tal abordagem associa a própria criança à promoção e à defesa dos seus direitos. Provou-nos a sua eficácia onde nos foi possível pô-la em prática.

16. Esta nova abordagem da criança apela para uma mobilização prioritária em relação a certos desafios. Entre os dez desafios identificados[4], trata-se em particular de:
• Lutar contra todas as formas de violência para com as crianças, quer seja a pobreza extrema ou as violências nos conflitos armados, na escola ou no trabalho, no ciberespaço ou nas famílias; é nestas, aliás, que a violência está mais espalhada.
• Garantir uma educação de qualidade para todas as crianças a fim de que não sejam condenadas à pobreza e à marginalização perpétuas. Em particular experimentámos que a intervenção de educadores/mediadores - capazes de ajudar as crianças desenraizadas a passar gradualmente para novas referências culturais, suscitando e apoiando a sua resiliência - favorece a sua inserção e o seu desenvolvimento e permite lutar eficazmente contra o abandono da escola.
• Apoiar as famílias fragilizadas, especialmente as famílias monoparentais, promover nelas um clima de boas relações e reforçar as competências educativas parentais.
• Humanizar a justiça para os menores e a assistência aos jovens em conflito com a lei. Face ao endurecimento da justiça penal em muitos países, queremos recordar que a justiça para os menores deve visar prioritariamente a sua educação e reinserção.

17. É necessário implementar de modo efectivo e urgente o que é exigido pelos tratados internacionais dos Direitos Humanos e mais especificamente pela Convenção sobre os Direitos da Criança.

18. Nós, os signatários do presente documento apelamos insistentemente para os Estados afim de que:

a) Ratifiquem, aqueles que ainda o não fizeram, a Convenção, assim como o Protocolo facultativo sobre a venda de crianças, a prostituição das crianças, a pornografia que põe em cena crianças, e o Protocolo facultativo sobre a implicação das crianças nos conflitos armados; levantem aquelas reservas que resultem restritivas de direitos ou afectem os objectivos da Convenção e continuem a proceder à harmonização do seu direito interno com a Convenção.
b) Respeitem os compromissos assinados, especialmente adoptando políticas públicas a favor da criança e das famílias, o que supõe também reforços orçamentais prioritários e suficientes e uma vontade política constante.
c) Cooperem estreitamente com o Comité dos Direitos da Criança e os mecanismos de acompanhamento dos Direitos Humanos da ONU, assim como com as instituições independentes (defensoras das crianças...) e as ONG especializadas neste campo a fim de garantir às crianças o pleno gozo dos seus direitos.

19. Apelamos para a comunidade internacional no seu conjunto para que:
a) Facilite o sistema de verificação, avaliação e controle da Convenção, garanta ao Comité dos Direitos da Criança, assim como ao sistema dos procedimentos especiais da ONU destinados a promover e proteger os Direitos Humanos, os meios para realizarem o seu mandato.
b) Ponha em acção uma nova governação mundial, em particular para tratar de todas as questões com carácter transnacional relativas às crianças (migrações, tráfico, redes de pornografia infantil, venda de órgãos...).
c) Reforce a abordagem baseada nos Direitos Humanos na cooperação internacional.
d) Exija firmemente que os Estados respeitem os seus compromissos de apoiar os países em vias de desenvolvimento com 0,7% do seu PIB.
e) Favoreça de modo equitativo uma produção, distribuição e comercialização dos bens de primeira necessidade para garantir às famílias rendimentos que sejam o fruto de um trabalho digno.

20. Apelamos para os meios de comunicação a fim de que:
a) Introduzam na sua carta ética ou deontológica uma reflexão sobre a infância e a adolescência para que apresentem delas uma imagem digna e respeitosa.
b) Façam sobressair o valor da diversidade cultural e favoreçam o diálogo entre pessoas, gerações, comunidades.
c) Contribuam para a difusão de uma cultura dos direitos da criança, formando nela profissionais do sector e produzindo e difundindo publicações destinadas às próprias crianças, tendo em vista o seu desenvolvimento.

21. Apelamos para as autoridades morais e religiosas no sentido de:
a) Velarem, onde quer que desenvolvam a sua actividade, pelo respeito para com a dignidade e os direitos da criança.
b) Contribuírem, em ligação com os jovens, para o diálogo intercultural e inter-religioso a fim de prevenir as clivagens, reconhecer as diferenças assim como a igual dignidade de cada um.
c) Se preocuparem sempre mais em educar para os valores porque só eles podem garantir uma vida humana e espiritual digna.
d) Mostrarem o valor de cada pessoa humana, explicitando os laços que existem entre a sua mensagem ética e religiosa e os Direitos Humanos.

22. Apelamos para as organizações da sociedade civil para que:
a) Difundam amplamente e dêem a conhecer os princípios da Convenção e a própria Convenção, preservando e desenvolvendo na sociedade uma verdadeira cultura da infância.
b) Reforcem o trabalho em redes, assegurem uma coordenação mais eficaz das suas acções, façam um intercâmbio das suas práticas boas e, em conjunto, exerçam pressão sobre as autoridades públicas a fim de que elas apliquem cada vez mais completamente as políticas a favor da infância.
c) Velem para que as suas iniciativas se inscrevam numa dinâmica de escuta da criança e das suas necessidades a fim de reforçar a participação das crianças na vida social e pública.
d) Realizem estudos multidisciplinares sobre a criança e suscitem novas pesquisas numa perspectiva de experimentação criadora.
e) Estabeleçam um relatório anual sobre os direitos da criança no mundo que tenha em conta os avanços mais notáveis e as violações mais graves.
f) Velem pelo respeito para com a dignidade e os direitos da criança onde quer que actuem.

23. Apelamos para todos os homens de boa vontade a fim de que:
a) Velem activamente para que cada criança e todas as crianças possam crescer em condições dignas e no pleno respeito pelos seus direitos.
b) Dêem um exemplo de solidariedade a fim de que cada criança possa fazer a experiência do altruísmo, da generosidade e se torne capaz de contribuir para o bem comum.
c) Exijam das autoridades públicas que desempenhem os seus deveres a favor da família e das crianças e que melhorem constantemente as suas políticas neste domínio.

24. A criança, cada criança é um presente para a humanidade, um presente que se inscreve numa história e abre novas possibilidades. Suscita admiração, encantamento e deve poder, por sua vez, encantar-se com o mundo que lhe confiaremos.

Para que o mundo conserve um rosto humano temos de respeitar a criança, de "nos pôr à altura da criança":
"Dizeis: É esgotante ocupar-se das crianças. Tendes razão. Acrescentais: porque devemos pôr-nos ao nível delas. Baixar-nos, inclinar-nos, curvar-nos, encolher-nos.
Nisso estais enganados. Não é tanto isso que cansa mais, mas o facto de sermos obrigados a elevar-nos até à altura dos sentimentos delas. Elevarmo-nos, esticarmo-nos, pormo-nos em bicos de pés, alongarmo-nos. Para não as ferir".[5]
Janusz Korczak[6]

Genebra, Junho 2009

________________________________________
[1] O Bureau International Catholique de l'Enfance (Bice - Secretariado Internacional Católico da Infância) tomou a iniciativa deste documento. Fundado em 1948, o Bice participou activamente na elaboração da Convenção nos anos 80. De então para cá tem seguido constantemente a sua aplicação tanto no terreno como em Genebra, junto do Comité dos Direitos da Criança da ONU.
[2] Um Documento de referência acompanha e completa o Apelo. Pode ser consultado e descarregado no sítio do Bice: http://bice.org// ou em http://www.biceinternational.org/
[3] A criança é entendida no sentido do art.º 1º da Convenção: "todo o ser humano com menos de 18 anos".
[4]O Documento de referência apresenta DEZ DESAFIOS:
1/ Respeitar o direito à vida. 2/ Lutar contra a pobreza. 3/ Lutar contra a violência para com as crianças. 4/ Apoiar as famílias. 5/ Estar atento à situação das crianças trabalhadoras. 6/ Garantir uma educação de qualidade para todas as crianças. 7/ Garantir o direito à saúde. 8/ Dar o seu lugar às crianças em situação de deficiência. 9/ Humanizar a justiça para as crianças. 10/ Pôr as novas tecnologias ao serviço da criança.
[5] Prólogo de "Quand je redeviendrai petit" (Quando eu voltar a ser pequeno), Associação Francesa Janusz Korczak (AFJK), tradução revista em 2007.
[6] Janusz Korczak (1878-1942), célebre pedopsiquiatra polaco, escritor, pedagogo, incansável defensor da causa das crianças, morto em Treblinka para onde foi deportado com as crianças do seu orfanato que recusara abandonar.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

domingo, 24 de maio de 2009

Caril de "Falamingo"



A ciência contada pelas crianças está sempre em evolução!

Hoje na Festa Darwin um Ornitólogo mostrava uma série de crânios de aves a um grupo de crianças e a certa altura pergunta:

- E este bico que parece um passador??? Quem é que sabe de que ave é??!!

- Eu sei!!! Eu sei!!! (diz um miúdo de 5 anos) … É "dum FALAMINGO"!!!

- E porque é que ele tem assim o bico?!

- Porque come coisinhas cor-de-rosa muito, muito pequeninas que não se vêem!!!!

- Caril (crill) !! Ele quer dizer Caril!!! (corrige o irmão de 7 anos, com um ar MUITO MAIS VENHO…)

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Do Tio de Marrocos…



É impossível falar de João Bénard da Costa sem nos lembrarmos dos filmes, dos livros, dos textos, das crónicas, das musicas que ele gostava, das suas opiniões, dos seus conselhos… mas sobretudo das suas histórias e da forma sublime como as contava entre risos, catarro, bonomia e cenários criados no momento que as tornavam absolutamente inesquecíveis e únicas. Há uma que recordo sempre e de que mais uma vez me lembrei hoje quando soube da sua morte…

Quando o João Bénard da Costa era criança e estava na primária, encontrou um postal pelo qual se maravilhou e com a sua enorme criatividade mostrava a todos os colegas o postal, dizendo convictamente que aquele era – “O Palácio do Meu Tio de Marrocos”. A “fotografia” enviada pelo “Tio” encantava todos os colegas e gerou uma série de incontáveis peripécias pormenorizadas que se passavam no Palácio e com as quais o João Bénard da Costa fazia um enorme sucesso entre a turma e amigos!

Até que… a professora descobriu a “Fotografia” e lhe confiscou o Postal do Palácio Nacional de Sintra dando-lhe simultaneamente uma lição de moral…

Lembra-se o João Bénard da Costa de ter pensado para si na altura em que entregava a “Fotografia”:

“Deixa lá João!... O tio amanhã envia-te outra!”

terça-feira, 19 de maio de 2009

"(...) Ela Acreditava em Anjos..."

Anjo da Guarda, minha doce companhia....


Obrigada amigas que têm sido uns anjos da Guarda

Lembrando o dia do crisma


Meu Deus, me dê a coragem de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites, todos vazios de Tua presença.

Me dê a coragem de considerar esse vazio como uma plenitude.

Faça com que eu seja a Tua amante humilde, entrelaçada a Ti em êxtase.

Faça com que eu possa falar com este vazio tremendo e receber como resposta o amor materno que nutre e embala.

Faça com que eu tenha a coragem de Te amar, sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.

Faça com que a solidão não me destrua.

Faça com que minha solidão me sirva de companhia.

Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.

Faça com que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo.

Receba em teus braços meu pecado de pensar.

Clarice Lispector

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A Falta do GPS......

Muito, muito interessante a entrevista que o Cardeal hondurenho Óscar Mariadaga deu ao jornal «Público».De facto, e entre outras coisas que diz, uma assume especial relevância : «Temos as mais sofisticadas tecnologias de orientação - com o GPS chegamos a qualquer lado e, mesmo assim, o ser humano nunca esteve tão desorientado como agora.O homem necessita de um GPS espiritual...» O caminho para o fim da crise, diz, passa pela solidariedade, e por uma nova orientação social, voltada para a espiritualidade.Esta parece-me uma constatação muito verdadeira e que eu sinto muito profundamente.Por coincidência ( ou não) tem uma forte ligação com uma outra ideia que me foi explicada por uma irmã dominicana há uns dias atrás.Diz ela que o ser humano deve valorizar o seu trabalho espiritual, interior, tem que valorizar a dimensão mística por forma a poder perceber a sua transcendência e conseguir ir ao fundo da essência, do seu absoluto, do seu infinito, para se encontrar.
A isto chamava Gabriela Llansol a «Vertical do Lugar: a busca dessa verticalidade é a capacidade própria de cada ser humano de encontrar, no quotidiano da sua existência, uma relação com o que está para além do visível e do corpóreo...É uma sabedoria que se adquire e se exercita pela prática do silêncio, do centramento e rumo consciente..».
Uma prática que nos ajuda, com toda a certeza, a sermos mais felizes e a podermos melhor contribuir para uma ordem social mais próxima e solidária.

Portas Comunicantes



“(…) Temos que construir portas para comunicar…
Jesus era carpinteiro, fazia portas, não construía muros.”

D. Óscar Maradiaga, sobre os muros de Israel.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Jiminy Cricket* ou Jesus Christ…


*Grilinho do Pinóquio

É muito bom receber presentes destes dos nossos amigos grilinhos!!!

sábado, 9 de maio de 2009

O Meu Amigo Assistémico...


Ao Pe. Patrão que faz hoje 80 anos de verdadeira Liberdade!

Aqui eu fui feliz aqui fui terra
aqui fui tudo quanto em mim se encerra
aqui me senti bem aqui o vento veio
aqui gostei de gente e tive mãe
em cada árvore e até em cada folha
aqui enchi o peito e mesmo até desfeito
eu fui aquele que da vida vil se orgulha
Aqui fiquei em tudo aquilo em que passei
um avião um riso uns olhos uma luz
eu fui aqui aquilo tudo até a que me opus

Meditação Anciã in "Toda a Terra", Ruy Belo.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Quando o Silêncio se Impõe...


... é mesmo muito BOM!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Angeles Luminosos Capa de Revista Cor de Rosa


Clicar na imagem para ampliar!

A internacionalização das Placas Fotograficas de Number Ten
continua a dar que falar!

Number Ten Nomeada para o BES'T FOTO



Estamos orgulhosas com a nossa Number Ten que conseguiu
pôr o Edgar Martins, vencedor do BES FOTO, no cantinho!!!
NEM MAIS!!! A nossa Grande Fotografa captou os odores que inebriaram SI no Domingo passado como nunca ninguém tinha conseguido fazer!!!!
A exposição está neste momento a caminho da capital Espanhola com o apoio do GPEARI!

Ungidos pelo Perfume da Alegria em…



(…) Tempo de grandes passeios
Confusamente agora recordados -
A estrada atravessava a serra pelo meio
Em rugosos muros de pedra e musgo a mão deslisava -
Tempo de retratos tirados
De olhos franzidos sob um sol de frente
Retratos que guardam para sempre
O perfume de pinhal das tardes
E o perfume de lenha e mosto das aldeias

AS FOTOGRAFIAS in Dual de Sofia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Para aqueles que sofrem em silêncio. . . .


«Meu Deus, me dê a coragem de viver trezentos e setenta e cinco dias e noites,
todos vazios de Tua presença. Me dê a coragem de considerar esse vazio como uma plenitude. Faça com que seja a Tua amante humilde, entrelaçada a Ti em extâse. Faça com que possa falar com este vazio tremendo e receber como resposta o amor materno que nutre e embala. Faça com que eu tenha a coragem de Te amar. Faça com que a solidão não me destrua. Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar. Faça com que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo. Recebe em teus braços o meu pecado de pensar.»
Clarice Lispector

Sofrer em silêncio é muito duro. Dói muito fundo.Mas há pessoas realmente que, em certos momentos, não conseguem emitir um som, um som que lhes permita um pouco de alívio, de tranquilidade, de confiança. Este post é para alguns amigos que se encontram em fases dessas nas suas vidas. Não se esqueçam que, embora por vezes possa não parecer, Ele e nós ,vossos amigos, estamos sempre, sempre ao vosso lado.

E Quando Deus Dança Connosco?!



Um 'benevolent touch' dançado por aqui e por ali!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Frases soltas da grande Clarice Lispector

«Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada.»
«...estou procurando, estou procurando. Estou tentando me entender. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda».
«Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo»

Clarice Lispector, Ucrânia 1920- Brasil 1977

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Não Entremos em Orbita…



"(...) A Bíblia foi feita para nos ensinar o caminho
para o céu e não para explicar e descrever o céu..."

Galileu, citado pelo Pe. João Resina

terça-feira, 21 de abril de 2009

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Implorando o sopro



Implorando o sopro do ser divino,
o sopro que dá a vida,
o sopro de muita idade,
o sopro das águas,
o sopro das sementes,
o sopro da fecundidade,
o sopro da abundância,
o sopro do poder,
o sopro da força,
o sopro de todas as espécies de sopro,
pedindo o seu sopro,
inspirando o seu sopro no calor do meu corpo,
incorporo o seu sopro
para que vivas sempre luminosamente.

In "Poemas Ameríndios", adaptado para Português por Herberto Helder.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Maldita falta de tempo!

Yinka Shonibare

Esta é a desculpa do costume mas realmente nos últimos dias ando com uma enorme falta de tempo para fazer coisas de que gosto muito, como por exemplo vir aqui escrever um texto.
Verdade se diga que passei uma Semana Santa maravilhosa, vivida em pleno.E que tenho tido que fazer muitas outras coisas..Mas sabe tão bem vir aqui partilhar emoções, sentidos de vida, desabafos...Apareceu muito sofrimento humano à minha volta nos últimos tempos.Coisas graves em termos de saúde.Tenho tentado ajudar, mas há uma coisa que me tem ajudado muito a mim e que me dá ideias e força para ajudar os outros: são as crónicas do Pedro Múrias no RCP, chamadas «Crónicas na sala de espera».
Não conheço o Pedro Múrias, mas as suas crónicas, as de alguém que como ele sofre de cancro e passa muitas tardes na sala de espera do hospital, à espera dos tratamentos e que à medida que o tempo vai passando, descobre coisas maravilhosas, como a entreajuda das pessoas, o carinho e amizade do pessoal do voluntariado, as outras histórias de vida...e que nos transmite diariamente um percurso em que foi ganhando tranquilidade, esperança.Durante o qual se apercebeu de tantas emoções, tanta força para viver.Parabéns Pedro.
E obrigada pela tua coragem de partilhares!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Ombra mai fu



Handel...
num graffiti que encontrei hoje no largo da Academia das Ciências e ...

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Comovedor...


em cima das flores deixadas


na quinta-feira Santa...




hoje apareceu...


uma surpresa "de ir às lágrimas"...

Um Domingo… de Luz Sem Fim!




Logo pela manha, um presente à porta da Ritinha, do Pedro e do João!
Ovos, finalmente, no adro da igreja!
E depois do almocinho em família, flores, flores e mais flores nos campos que tresandavam a esteva, hortelã da ribeira, madressilva e pascoinhas!

domingo, 12 de abril de 2009

Sexta e Sábado...




O Silencio tem
uma casa
onde a musica
entra quase
sem pedir licença


Susana Ralha

(que bonito que foi ouvir a Liturgia da Luz no inicio da Vigília)

sábado, 11 de abril de 2009

Na Quinta-feira Santa…





Uma aldeia ouve desolada
O canto do pássaro ferido
É o único pássaro da aldeia
E foi o único gato da aldeia
Que o devorou por metade
E o pássaro deixa de cantar
O gato deixa de ronronar
E de lamber o focinho
E a aldeia faz ao pássaro
Um funeral maravilhoso
E o gato que foi convidado
Segue atrás do pequeno caixão(…)
Onde o pássaro morto vai estendido
Levado por (um) (menino)
Que não pára de chorar
Se soubesse que isso te deixava tão triste
Disse-lhe o gato
Tinha-o comido inteiro
E depois contava-te
Que o tinha visto partir a voar
A voar até ao fim do mundo
De onde tão longe que é
Nunca ninguém volta
Seria para ti um desgosto mais pequeno
Unicamente tristeza e saudades(…)

Traduzido e adaptado de Jacques Prévert

terça-feira, 31 de março de 2009

«Um só propósito», de D.Manuel Clemente


Ainda não li este último livro de D.Manuel Clemente, mas não posso perder.Foi apresentado por António Barreto, lançado na semana passada.É uma colectânea de homilias, acompanhadas de outros escritos, uns pastorais, outros diversificados e produzidos por várias ocasiões, uns dirigidos a pessoas, outros de reflexão sobre o mundo presente.Diz A.Barreto : «Sublinho o facto de serem publicação das homílias. Estas são, tradicionalmente, textos efémeros. Todos os meses, em todo o país, são aos milhares as homilias proferidas no magistério dos sacerdotes. São textos que geralmente consagram a oralidade. Podem recordar a história, invocar as sagradas escrituras ou refletir sobre grandes problemas religiosos ou morais, mas são em princípio de relativa actualidade. Muitas vezes se perdem, ali, na congregação de fiéis. A maior parte das homilias de cada sacerdote e da maioria dos sacerdotes nunca vê a forma impressa, nunca têm uma segunda vida de leitura e meditação... A homilia pode ser efémera, mas o seu conteúdo não o é. Para os crentes, pode ser uma recordação, uma sugestão para voltar à matéria. Para os não crentes, é a possibilidade de entrar em conversa, em diálogo. Um sacerdote que publica as suas homilias quer falar com os outros, os que não pertencem ou não comparecem à congregação, os que não são do rebanho ou os que não são religiosos. É um sinal de vontade de diálogo. E um sinal de predisposição para a tolerância».

sexta-feira, 27 de março de 2009

Roma e Pavia não se fizeram num dia...



Há coisas que custam mesmo a mudar!...

quarta-feira, 25 de março de 2009

Que pobres de espírito andam os nossos jornais!!


Saíu hoje uma notícia no jornal Público, com o seguinte título :«Padre em Lisboa recusa baptizar meninos com nome Lucílio».Quem vê este chamariz, lê de imediato a notícia a pensar, malvado Padre, a Igreja está de rastos, já nem baptizam crianças como nome de Lucílio....Ora, o que o P.João Eleutério quis fazer, foi uma piada sobre a derrota do Sporting no dia anterior.Nada mais.Cruzes, credo.Um Padre a dizer uma coisa destas!!!!Que infâmia, o meu Lucílio vai ficar sem baptismo.Sim, porque quem soprou isto para os jornais só pode ter um filho ou neto Lucílio por baptizar!Que outra razão estará por detrás disto? Malvadez, mesquinhez,pudor????Não, quem fez chegar esta notícia aos jornais foi por bem, foi alguém que ficou em pânico porque o seu Lucílio ía ficar de fora.!!!E mais, ainda bem que há Padres como o P.João Eleutério.Homens inteligentes, do seu tempo, e que conseguem dizer uma piada numa missa, transformando-a num sítio onde apetece sempre voltar.

terça-feira, 24 de março de 2009

Lúmen



O Senhor meu padrinho deixa-nos sempre muito orgulhosos dos seus talentos!!!
Todos os anos por esta altura da Páscoa renascem no atelier fotografias lindíssimas, contos, mitos, pura poesia e histórias que nos fazem voar!

A não perder no CCB a nova exposição!

segunda-feira, 16 de março de 2009

Pelos Jardins desta Páscoa...




Os lírios estavam ali no meio do campo para os olharmos, o alecrim e a esteva rebentava-nos os pulmões, o cheiro seco a pinheiro bravo fez-nos viajar até Roma, a maresia e o barulho das ondas ao fundo do vale lembrava-nos que tínhamos saído de casa para fazer o primeiro pic-nic desta primavera… os pássaros alegraram-nos as passadas e a Páscoa fez-se sentir num paraíso bem perto de Lisboa quando demos com este bilhete escondido no caminho…

terça-feira, 10 de março de 2009

Passos Iniciais…



Hoje, Senhor, quero parar.
Num espaço e num tempo só para mim.
Num espaço e num tempo só para Ti.

É que vão correndo os dias da Quaresma e assalta-me o medo de que ela passe rotineira, sem qualquer descoberta ou qualquer luz.

Hoje quero entrar cuidadosa e paciente na noite que há em mim.
E dar-me tempo.
Dar-Te tempo.

Quero o jejum de palavras,
Jejum de emoções,
Do pensamento rápido.
Quero banir deste dia toda a pressa
para alcançar o tempo e a coragem de me ver com verdade.
Sem receio dos caminhos lentos.

Talvez que ao cair da noite consiga ensaiar os meus passos iniciais,
aqueles passos como os das crianças, tímidos e inseguros.

Mas persistentes. Decisivos.

segunda-feira, 9 de março de 2009





Felizes seremos nós na pobreza


se em nossas mãos houver amor de Deus,


se nos abrirmos à esperança,


se trabalharmos por fazer o bem.




Felizes seremos nós na humildade


se como crianças soubermos viver


a terra será a nossa herança,


a nossa herança.



Se o grão de trigo não morrer na terra


é impossível que nasça fruto.


Aquele que dá a sua vida aos outros terá sempre o Senhor



Felizes seremos se partilharmos,


se o nosso tempo for para os irmãos


para quem vive em grande tristeza


e para quem caminha em solidão.




Felizes seremos se dermos amor


se houver sinceridade em nossas mãos


poderemos sempre olhar e ver a Deus,


e ver a Deus.

Medicina de Deus


São Rafael Distribuindo Pão (pormenor em negativo), Museu de São João de Deus.

Notei que a senhora de cor-de-rosa do canto oposto ao meu ficou atrapalhada quando um dos doentes lhe dirigiu a palavra… sentei-me no claustro branco puro, cheio de luz… fiquei a observar … metiam conversa, sorriam-nos estavam contentes com a festa… nós todos ao longo do dia, uns mais que outros, fomos sendo tocados por aqueles sorrisos e pelos olhares sem filtro que nos interpelavam… Dei, então, comigo a pensar: a que ponto chegamos! Achamos tão incómodo e estranho quando alguém que não conhecemos vem directamente falar connosco… são eles ou somos nós que estamos loucos?...

quarta-feira, 4 de março de 2009

É Tempo para Pensar...



...Em retirar as árvores caídas do caminho!