segunda-feira, 10 de maio de 2010

Uma Andorinha...



... pode ajudar a fazer a primavera!

Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.

Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só dos teus olhares me purifique e acabe.

Há muitas coisas que eu quero ver.

Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o teu reino antes do tempo venha.
E se derrame sobre a Terra
Em primavera feroz pricipitado.

Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, 9 de maio de 2010

O AMOR ANTIGO

O amor antigo vive de si mesmo

Não de cultivo alheio ou de presença.

Nada exige nem pede. Nada espera

mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas

feitas de sofrimento e de beleza.

Por aquelas mergulha no infinito,

e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona

aquilo que foi grande e deslumbrante,

o antigo amor porem nunca fenece

e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mais pobre de esperança.

Mais triste? Não. Ele venceu a dor

e resplandece no seu canto obscuro,

tanto mais velho quanto mais amor.

Carlos Drummond de Andrade © Graña Drummond

sábado, 8 de maio de 2010

Uma Grande Perda


Frederico Valsassina Heitor, visita de estudo a Conimbriga em 19 84.

Nos boletins que vinham para casa com as notas, havia sempre um comentário no canto que finalizava a avaliação: "(...) e é muito minha Amiga!". 30 anos depois, ainda nos tratava pelas alcunhas, contava histórias nossas quando tínhamos 5 anos, como se tivessem sido ontem! Havia uma minha que repetia vezes sem conta: "recusavas-te sempre a ler na sala com a professora e só te conseguíamos fazer dizer alguma coisa, quando eu te sentava ao meu colo, pegava no livro e lia contigo".

Todos lhe devemos grande parte do que somos hoje! Durante estes anos todos, foi nosso pai, nossa mãe, nosso Amigo! Vamos sentir mesmo muito a sua partida.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Das Profundezas da Alma



Diria que... este fado é azul profundo como os teus olhos! Quem escreve assim tem a Alma grande e um coração daquele tamanho!!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Bem-Bom



... e ontem a preparação da visita do Santo Padre acabou a altas horas da madrugada!!
Leituras, partilha, conversa da boa, memórias da primeira visita de João Paulo II em 82, algumas duvidas sobre a vida e sobre onde isto tudo irá parar... sem saber o que virá depois...
Foi mesmo BEM-BOM!

domingo, 2 de maio de 2010

+ Arte Contemporânea e Sagrado


Clicar na imagem para aumentar!!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

oração pelo Papa




Rezemos pelo Papa enquanto esperamos a sua Visita.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

triste fado o nosso...



"... a catequese hoje tornou-se numa espécie de fado!"

Obrigada P. Carlos!Foi mesmo bom ouvi-lo ontem!
Uma grande conversa, uma excelente Catequese!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Gafes...com 36 anos!



"AUTORIZADO COM CORTES"...

sexta-feira, 23 de abril de 2010

I'll miss you Number Ten!


Não é que eu concorde, mas o que é que hei-de fazer???
O mundo está perdido, se o Number Ten for vendido!
Bem, verdade, verdadinha, depende de quem o compre.Se for o David Cameron mudamos para number 44 , se for o Nick Clegg mudamos para 45. O nosso, deles, Brown, é que não se percebe porque manteve sempre o Number Ten.No fundo, deve querer esconder a idade.Fez ele bem.

Ainda bem que a tradição ainda é o que era!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

quinta-feira, 15 de abril de 2010

A IGREJA ESTÁ... a???


Imagem retirada de - http://www.umpastelembelem.com

Esta frase apareceu no Domingo de Ramos e no inicio da Semana Santa foi de imediato apagada a palavra _ ABORTO!!!

Ficou reduzida a _ A IGREJA ESTÁ A FAZER UM...

No dia a seguir, alguém se deve ter lembrado que aquilo ainda não estava bem... desapareceram, então, mais umas palavras, ficando apenas da frase original _ A IGREJA ESTÁ...

Intrigados com esta afirmação que se mantém no alto do Restelo, pedimos que puxem pela imaginação e que completem a frase de forma a resolverem esta GAFE! Mãos à Obra!!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Que enorme falta de gosto!

Feios, não são? São os manifestos de dois dos partidos concorrentes às eleições no Reino Unido, trabalhistas e conservadores, no próximo dia 6 de Maio! O género religião que bate de porta em porta e o género clean, pretensiosamente sério!

terça-feira, 13 de abril de 2010

...nunca mais!



O P. José Manuel Pereira de Almeida, Secretário da Comissão Episcopal da Pastoral Social, aborda o fenómeno da pedofilia, nas dimensões que, na sua opinião, devem ser clarificadas: «verdade e suspeita, moral e direiro, causas e consequências».

Na ocasião em que escrevo estas linhas, ainda não conheço a Nota que Bento XVI assina hoje. Desejo lê-la «de coração aberto e no espírito da Fé» como ele próprio, há dias, recomendou. «É minha esperança – dizia o Papa – que possa contribuir para ajudar o arrependimento, o sarar de feridas e a renovação».

Oxalá em breve possam ser mais claras as diversas dimensões do fenómeno: verdade e suspeita, moral e direito, causas e consequências.

Verdade e suspeita.
Não podemos continuar a viver como se nada se passasse. Ignorando. Disfarçando. Mas é importante também não nos deixarmos invadir por uma espécie de suspeição generalizada, de tudo e de todos. A desconfiança corrói.

Ter olhos para ver requer uma educação do olhar que não se habitue à violência – a todas as formas de violência – como se ela fosse uma fatalidade. Esta vigilância há-de poder ser vivida com serenidade. Mas também com determinação. Para lá das palavras, as acções. Para que a observação de Jesus aos fariseus não nos atinja: «Eles dizem e não fazem» (cf. Mt 23,1-12)

Moral e Direito.
Bem sabemos que uma coisa é o nível da reflexão ética, outra o dos procedimentos legais. Mas, num estado de direito, é de supor que a ética partilhada suporta e é traduzida no ordenamento jurídico que é o nosso. E, no que diz respeito aos cristãos, leigos ou clérigos, são, é claro, cidadãos do seu país. Sujeitos às leis existentes e sem nenhuma forma de se subtraírem à justiça que, sendo a que conhecemos, permite que a nossa convivência social seja isso mesmo: um vivermos juntos, ordenadamente, e não num caos.

Causas e consequências.
Creio que um problema tão complexo exige uma leitura interdisciplinar para o correcto diagnóstico da sua etiologia.

Nos últimos dias, têm-nos chamado a atenção para o facto de o fenómeno não ser específico da Igreja Católica; de, quanto aos padres, ser mesmo uma percentagem muito escassa; de esses casos terem de ser interpretados nas particulares circunstâncias histórico-culturais que são as suas. Muito bem. Mas estes argumentos não podem servir para nos acomodarmos. A justa relativização não permite que, entre nós, se faça apenas “alguma coisa para que tudo fique na mesma”, na conhecida expressão de Lampedusa em Il gattopardo. Não nos podemos ficar pelo formal pedido de desculpas. Haverá, certamente, muita coisa a mudar. Mesmo.

As causas circunstanciais encontrá-las-emos, provavelmente, nas situações elencadas no artigo desta semana do historiador Paulo Varela Gomes (“Os padres. Os outros. E o fim.”, Público, 13 de Março, P2 pág.3): «são palco deste fenómeno muitas outras instituições masculinas de reclusão – reformatórios, orfanatos, colégios internos, prisões. Desde sempre. Escusam de atirar pedras à Igreja aqueles que dirigem, regulam, servem estas instituições, condenam jovens e crianças a ficarem lá, deixam correr a sua existência».

Uma formação plenamente humana dos candidatos ao sacerdócio deve ser procurada e garantida, com uma criatividade que não se compagina com a repetição de velhos esquemas ultrapassados. Admito que alguma coisa possa ter sido descurada na admissão desses candidatos. Que alguns deles fossem jovens com certas perturbações (há quem diga que são os que mais facilmente respondem a um certo tipo de “propaganda” vocacional) que, sem correcto diagnóstico e sem consequente acompanhamento terapêutico, se tornam pessoas com uma sexualidade imatura, incapazes de uma serena experiência de relações humanas.

A Conferência Episcopal Portuguesa, pela voz do seu Secretário, veio já dizer o que por agora é possível em matéria de futuro: «reconhecer a verdade e auxiliar as vítimas; reforçar a prevenção e colaborar construtivamente com as autoridades». Vale a pena recordar a expressão que o Papa Paulo VI utilizou nas Nações Unidas acerca da guerra: «Nunca mais!». Que a possamos repetir, com humildade e confiança, sim, mas também com a determinação, acerca deste drama: nunca mais!

P. José Manuel Pereira de Almeida
19 de Março de 2009 _
in http://www.ecclesia.pt/snpsocial/

sexta-feira, 9 de abril de 2010

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A Última Viagem...



Para além das asas, para além dos filhos e dos netos, é um Amigo que nunca esqueceremos. Continuaremos sempre a imagina-lo… a nadar diariamente 100 piscinas, quer fosse verão ou inverno, nas manhãs frias de Sintra… a cortar-nos o cabelo à tigela durante as férias, a ensinar-nos a jogar ténis, a mergulhar de cabeça e a atravessar a piscina inteira debaixo de água sem respirar... a tocar piano, a tirar mel das colmeias e a dar-nos os favos para provar… a treinar os cães com disciplina Britânica e a oferecer-nos as melhores, as mais delicadas e raras framboesas da rua! Pintava aguarelas maravilhosas, emprestava-nos livros que ninguém mais tinha… Impossível esquecer as histórias intermináveis e maravilhosas que nos contava sobre a Marinha e sempre, sempre sobre a TAP! Aquele lugar que construiu, a nossa rua, sem ele, perderá todo o seu encanto, faz hoje a sua última viagem e vamos ter mesmo saudades…

quarta-feira, 7 de abril de 2010

...às vezes acontecem...


made in Região Autónoma do Estoril by CR.

If we could see the miracle of a single
flower clearly, our whole life would change.

Buddha

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Pelos Jardins da Páscoa



Em todos os jardins hei-de florir,
Em todos beberei a lua cheia,
Quando enfim no meu fim eu possuir
Todas as praias onde o mar ondeia.
Um dia serei eu o mar e a areia,
A tudo quanto existe me hei-de unir,
E o meu sangue arrasta em cada veia
Esse abraço que um dia se há-de abrir.
Então receberei no meu desejo
Todo o fogo que habita na floresta
Conhecido por mim como num beijo.
Então serei o ritmo das paisagens,
A secreta abundância dessa festa
Que eu via prometida nas imagens.

Sophia de Mello Breyner Andresen, Em Todos os Jardins, 2003.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

quarta-feira, 31 de março de 2010

Obrigada!!!!!!!!!!


No domingo passado, dia 28 de Março, vivemos uma experiência inesquecível. Digo vivemos, porque estava rodeada de um grupo de amigos, num almoço de comemoração dos anos de uma amiga comum.
A história começa com um email dos filhos da Rita a convidar-nos para um almoço de 60 anos dela. Tal teria ficado decidido, e escrito num guardanapo, há vinte anos atrás quando comemoraram os quarenta anos de ambos, nos dia de anos dele.
Como o prometido é devido, o nosso amigo Zé Alberto, os filhos Francisco e João e as noras, organizaram um almoço surpresa para a nossa Rita, num restaurante no meio de um jardim, num dia de sol esplendoroso. Eu fiquei numa mesa junta à porta, com uma vista magnífica sobre Lisboa e o jardim. O grupo de amigos que ficou na minha mesa era de cinco estrelas e de cinco estrelas eram os restantes amigos que enchiam, com um ar muito feliz, todas as outras mesas.
Este texto tem como único objectivo agradecer. Agradecer à família em nos ter recebido de uma forma tão calorosa. Fomos tão mimados.Com sorrisos, gargalhadas, beijos, abraços, festas na cabeça….uma carrada de mimos…Obrigada Zé Alberto, Rita, João, Francisco, Marta, Maria e aos netos mais bonitos do mundo…..obrigada por partilharem connosco este momento tão especial. Senti-me em casa, tranquila, feliz. E agradecer a Deus um Domingo de Ramos em cheio!

Match Point

terça-feira, 30 de março de 2010

Giorno di Pianto...



"(…) Giorno di pianto, di fier dolore!
Mentre l'amore
Sorrise a me,
Il ciel dirada quel sogno aurato,
Il cor piagato
Tutto perdé!
De' loro sdegni crùdo il pensiero
fa in me più fiero
L'atro dolor!"

Verdi, I Vespri Siciliani, Atto Quarto_Scena I.

domingo, 28 de março de 2010

Open Up Your Door...



Para a Mãe que me ensinou desde pequenina a viver de portas e janelas abertas... a sentir e lidar com os bons, também às vezes, com os maus ventos de todas as manhãs!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Cheirando a Jasmim...



Virgem! filha minha
De onde vens assim
Tão suja de terra
Cheirando a jasmim
A saia com mancha
De flor carmesim
E os brincos da orelha
Fazendo tlintlin?
Minha mãe querida
Venho do jardim
Onde a olhar o céu
Fui, adormeci.
Quando despertei
Cheirava a jasmim
Que um anjo esfolhava
Por cima de mim...

Vinícius de Moraes, Anunciação.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Idade(s) do Armário



"Estava tão apaixonado que se fechou em casa, sentado junto á porta, para poder abraça-la assim que ela batesse para lhe vir confessar que também o amava.

Mas ela não veio e ele envelheceu. Um dia alguém tocou, levemente, à porta e ele, apavorado, fugiu, escondendo-se atrás do armário."

Tonino Guerra, A Espera.

terça-feira, 23 de março de 2010

...How do you clean it ?!



"(...) quem muito cumpriu com o céu desde infância, se torna familiar demais com os ritos para ser com eles pontual. Tornámo-nos como conffnuos de ministérios: um pouco ateus duma ordem que servimos."

Agustina Bessa-Luís, sobre Mundo Fechado

sexta-feira, 19 de março de 2010

Let’s Go!!



"Let’s reach out and take hold of our loved ones, take hold of our fears, take hold of our spirit of exploration, and in every possible sense, let’s go dancing with them (...)"

Nick Baylis

quinta-feira, 18 de março de 2010

Com sentido... ou sem sentido?


Sister Corita - "feelin' groovy"

Há histórias que fazem sentido, e outras que nem por isso... uma história que faz sentido é aquela que arranca os sentidos do seu entorpecimento, que abre os olhos e os ouvidos às cercanias reais, que nos toca e nos provoca calafrios de reconhecimento pela superfície da pele. Fazer sentido é vivificar os sentidos, é libertar o corpo dos constrangimentos impostos por maneiras de falar desgastadas e assim renovar e rejuvenescer a consciência que cada um tem do mundo... Fazer sentido é fazer com que os sentidos acordem para o lugar onde estão.
(adaptado de Virando do Avesso, David Abram)

quarta-feira, 17 de março de 2010

Valha-me São Patrício


Sempre que ouço falar da Irlanda, lembro-me de um exame da faculdade em que me foi reduzida a nota porque me esqueci de referir a cor do cabelo de Cristo!

Tinha um louco de um professor que nos obrigava literalmente a decorar a enciclopédia Alfa, chegava aos exames pedia-nos para abrir um dos livros e a partir da imagem que nos calhava era feito o exame... um método muito lindoo!!

Num dos exames calhou-me uma imagem de "Cristo em Majestade" do Book of Durrow. Feliz da vida porque sabia de cor a lição estive uma hora a dissertar sobre os evangelhos e as imagens, sobre a ilustração dos livros sagrados medievais, sobre o valor simbólico daquelas iluminuras em particular, sobre... tudo e mais alguma coisinha... No fim, aliviadinha, com um grande sorriso e já a sonhar com nota máxima ouço num tom coloquial meio fanhoso:

- ... esteve muito bem! sabe a matéria, relacionou com brilhantismo a imagem com a totalidade da época artística em questão e tocou ainda em aspectos fundamentais, qualquer outro professor lhe daria um 20!... no entanto (pausa)... esqueceu-se de referir um pequeno pormenor importante, é que nesta imagem Cristo é representado ruivo e com sardas o que faz toda a diferença... por esse motivo não lhe dou nota máxima e terá que se contentar com um 17 ou um 18... ainda vou pensar...

Há pormenores que fazem, de facto, toda a diferença!!

quarta-feira, 10 de março de 2010

Religiões do Mundo I



Fotografia de Karoli Lewis

Religião Jain

A unção da estátua de Bahubali, cerimónia da religião Jain que ocorre na India de 12 em 12 anos consiste no derramamenmto por parte dos sacerdotes, de litros e litros de leite, açucar, açafrão, turmérico, coco e pétalas.

terça-feira, 9 de março de 2010

Thinkings

Um dia virá, em que tu entenderás. Espero eu.
As conversas inacabadas, de meias palavras, não condizem comigo. Mantêm-me em sofrimento. Claro que vai diminuindo com o passar do tempo e das nuvens.
Mas aquilo que eu penso ter sido uma rejeição, foi muito duro. Teve a vantagem de tu seres uma pessoa de enorme confiança. Isso é tranquilizador. Mas, por outro lado, essa rejeição, que teve que trazer ao de cima toda a minha humildade, continua à espera de resolução. Não me digas mais palavras de conveniência, clichés….Será que alguma vez vamos conseguir falar? Tu, parece –me que consegues falar de tudo, mas são tudo coisas que me interessam muito pouco…algumas mais, obviamente, se te dizem respeito…mas falas demais sem dizeres o que eu preciso de ouvir…Como é que consegues? Qual é o teu segredo? é que nem esse me contaste....Um dia virá, em que tu entenderás….

segunda-feira, 8 de março de 2010

No III Domingo da Quaresma...


Questões entre crentes e não crentes...
durante um passeio por um monte cheio de oliveiras perdido no meio de Lisboa.

crente - que árvore é esta ao pé da nora? é linda!

n/crente - parece que é uma figueira... é muito bonita.

crente - que pena... está seca? estará toda morta?

n/crente - não rebenta! na primavera fica cheia de folhas.

crente - não acredito!!

sexta-feira, 5 de março de 2010

Quaresma II



"...Tomar uma hora cada dia, em que só por só com Deus e connosco cuidemos na nossa morte e na nossa vida.

E porque espero da vossa piedade e do vosso juízo que aceitareis este bom conselho, quero acabar deixando vos quatro pontos de consideração para os quatro quartos desta hora.

Primeiro: quanto tenho vivido?

Segundo: como vivi?

Terceiro: quanto posso viver?

Quarto: como é bem que viva?

Torno a dizer para que vos fique na memória: Quanto tenho vivido? Como vivi? Quanto posso viver? Como é bem que viva? Memento homo!"

Lembra-te homem, que és pó, e em pó te hás de converter, Sermão de Quarta-feira de Cinzas, Padre António Vieira, em Roma, na Igreja de S. António dos Portugueses, Ano de 1670.

Quaresma

«Quaresma pode até ser um nome complicado mas a sua motivação é actual e grandiosa:favorecer o encontro do Homem com as raízes profundas do seu ser,tornar-nos melhores e lembrados do que é importante.
Os dias trazem nas suas redes preciosos peixes vermelhos e azuis,mas também lixo, coisas supérfluas que só atravancam,por isso os pescadores perdem tempo a escolher com cuidado.
Quaresma é voltar a ganhar o espaço das escolhas neste tempo consumista de falsas imposições.
Quaresma é dizer sim,com maior entusiasmo ainda,à liberdade de afirmar o essencial:fé, justiça, reconciliação, solidariedade e alegria.
É que podemos somar muitos anos sem nunca ter realmente vivido e achar que fazemos grandes coisas sem nos perguntarmos: «para que servem?»
José Tolentino Mendonça

quarta-feira, 3 de março de 2010

Notas soltas

«Dear All,

Abro, sempre trémulo a uma leitura divinatória, o Evangelho de S. João.
Os olhos espraiam-se por esse episódio nunca acabado de interpretações, que é o diálogo de Jesus com Nicodemos.
Imaginamos Jesus convidado para jantar na casa apalaçada de Nicodemos, um fariseu abastado, homem culto, inteligente, sensível.
A conversa, regada com o melhor néctar dos deuses e as iguarias superlativas concedidas aos amigos e às personalidades de estilo, prolonga-se noite fora.
Jesus apreciava sobremaneira as coisas boas e raras da vida, a comida, o vinho, as mulheres, com aquele grau de autonomia e independência que lhe permitiu honrar a vida, não descendo da cruz. A noite quente estava estupenda de luz, ocasião que permite aquele tom sussurrado de confidências, devaneios, reflexões, a afectividade deslizando pela epiderme do corpo.
Nessas situações, o investimento é o outro, a atenção do outro, aquele que pode ser o meu revelador, o outro como espelho não esfarrapado da nossa alma.
Nicodemos quer agarrar o momento.
Sente que é ocasião única, o interlocutor faz-lhe ver o que está por detrás das suas seguranças limitadas, as costas que não vemos, pois habitamos um corpo que vive uma vida apenas entretido com o rosto dianteiro; metade da nossa vida passa-nos ao lado.
Como posso nascer, sendo velho?
Nicodemos habita na mais singela materialidade; acredita apenas nas mãos que fazem a guerra e a paz, a espaços e transitoriamente.
Vive no momento que passa, no fôlego curto de uma respiração medida por números.
Olha que há mais facetas nas coisas, do que coisas.
À despedida, num abraço comovido, mil novos sentidos tinham sido descobertos.
Há dias passei por Nicodemos, ainda a decifrar toda a plenitude de possibilidades abertas naquela noite»

Nuno Gonçalves

Escutas URDIDAS... às terças!


Uma Conversa TRAMADA...

catarina: oh, gosto tanto do Tolentino, é tão querido
ricardo: pois é. devíamos fazer alguma coisa com ele.
catarina: tipo o quê? levá-lo para casa e dar-lhe miminhos?
ricardo: não. talvez uma confissão."

domingo, 28 de fevereiro de 2010

www.capeladorato.org



Desde Sexta-feira,

a Capela do Rato

foi invadida pelo projecto

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O Diário de Bobby Baker


http://www.bobbybakersdailylife.com/

A NÃO PERDER durante esta Quaresma
na Fundação Calouste Gulbenkian.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Very well, Britain!!!!!!

The Prime Minister has apologised on behalf of the nation for Britain’s role in sending thousands of children overseas until the late 1960s.
At a reception in Westminster, Gordon Brown told a group of former child migrants “welcome home, you are with friends”.
He announced that a £6 million Family Restoration Fund will be set up to support costs for former child migrants who wish to be reunited with their families.
In the post-war era, more than 8,000 children were shipped to Australia, New Zealand, Zimbabwe and Canada. Most were told they would be placed in foster families but many ended up being poorly treated on farms and in religious institutions.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

RETRATO DE MÓNICA

Mónica é uma pessoa tão extraordinária que consegue simultaneamente: ser boa mãe de família, ser chiquíssima, ser dirigente da «Liga Internacional das Mulheres Inúteis», ajudar o marido nos negócios, fazer ginástica todas as manhãs, ser pontual, ter imensos amigos, dar muitos jantares, ir a muitos jantares, não fumar, não envelhecer, gostar de toda a gente, gostar dela, dizer bem de toda a gente, toda a gente dizer bem dela, coleccionar colheres do séc. XVII, jogar golfe, deitar-se tarde, levantar-se cedo, comer iogurte, fazer ioga, gostar de pintura abstracta, ser sócia de todas as sociedades musicais, estar sempre divertida, ser um belo exemplo de virtudes, ter muito sucesso e ser muito séria.
Tenho conhecido na vida muitas pessoas parecidas com a Mónica. Mas são só a sua caricatura. Esquecem-se sempre ou do ioga ou da pintura abstracta.
Por trás de tudo isto há um trabalho severo e sem tréguas e uma disciplina rigorosa e constante. Pode-se dizer que Mónica trabalha de sol a sol.
De facto, para conquistar todo o sucesso e todos os gloriosos bens que possui, Mónica teve que renunciar a três coisas: à poesia, ao amor e à santidade.
A poesia é oferecida a cada pessoa só uma vez e o efeito da negação é irreversível. O amor é oferecido raramente e aquele que o nega algumas vezes depois não o encontra mais. Mas a santidade é oferecida a cada pessoa de novo cada dia, e por isso aqueles que renunciam à santidade são obrigados a repetir a negação todos os dias.
Isto obriga Mónica a observar uma disciplina severa. Como se diz no circo, «qualquer distracção pode causar a morte do artista». Mónica nunca tem uma distracção. Todos os seus vestidos são bem escolhidos e todos os seus amigos são úteis. Como um instrumento de precisão, ela mede o grau de utilidade de todas as situações e de todas as pessoas. E como um cavalo bem ensinado, ela salta sem tocar os obstáculos e limpa todos os percursos. Por isso tudo lhe corre bem, até os desgostos.
Os jantares de Mónica também correm sempre muito bem. Cada lugar é um emprego de capital. A comida é óptima e na conversa toda a gente está sempre de acordo, porque Mónica nunca convida pessoas que possam ter opiniões inoportunas. Ela põe a sua inteligência ao serviço da estupidez. Ou, mais exactamente: a sua inteligência é feita da estupidez dos outros. Esta é a forma de inteligência que garante o domínio. Por isso o reino de Mónica é sólido e grande.
Ela é íntima de mandarins e de banqueiros e é também íntima de manicuras, caixeiros e cabeleireiros. Quando ela chega a um cabeleireiro ou a uma loja, fala sempre com a voz num tom mais elevado para que todos compreendam que ela chegou. E precipitam-se manicuras e caixeiros. A chegada de Mónica é, em toda a parte, sempre um sucesso. Quando ela está na praia, o próprio Sol se enerva.
O marido de Mónica é um pobre diabo que Mónica transformou num homem importantíssimo. Deste marido maçador Mónica tem tirado o máximo rendimento. Ela ajuda-o, aconselha-o, governa-o. Quando ele é nomeado administrador de mais alguma coisa, é Mónica que é nomeada. Eles não são o homem e a mulher. Não são o casamento. São, antes, dois sócios trabalhando para o triunfo da mesma firma. O contrato que os une é indissolúvel, pois o divórcio arruína as situações mundanas. O mundo dos negócios é bem-pensante.
É por isso que Mónica, tendo renunciado à santidade, se dedica com grande dinamismo a obras de caridade. Ela faz casacos de tricot para as crianças que os seus amigos condenam à fome. Às vezes, quando os casacos estão prontos, as crianças já morreram de fome. Mas a vida continua. E o sucesso de Mónica também. Ela todos os anos parece mais nova. A miséria, a humilhação, a ruína não roçam sequer a fímbria dos seus vestidos. Entre ela e os humilhados e ofendidos não há nada de comum.
E por isso Mónica está nas melhores relações com o Príncipe deste Mundo. Ela é sua partidária fiel, cantora das suas virtudes, admiradora de seus silêncios e de seus discursos. Admiradora da sua obra, que está ao serviço dela, admiradora do seu espírito, que ela serve.
Pode-se dizer que em cada edifício construído neste tempo houve sempre uma pedra trazida por Mónica.
Há vários meses que não vejo Mónica. Ultimamente contaram-me que em certa festa ela estivera muito tempo conversando com o Príncipe deste Mundo. Falavam os dois com grande intimidade. Nisto não há evidentemente, nenhum mal. Toda a gente sabe que Mónica é seriíssima toda a gente sabe que o Príncipe deste Mundo é um homem austero e casto.
Não é o desejo do amor que os une. O que os une e justamente uma vontade sem amor.
E é natural que ele mostre publicamente a sua gratidão por Mónica. Todos sabemos que ela é o seu maior apoio; mais firme fundamento do seu poder.

Sophia de Mello Breyner Andresen Contos Exemplares, Porto, Figueirinhas, 1996 (29ª ed.).

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Passo a Rezar...



Obrigada Pitty!!!!
É mesmo bom ver-te assim!!! Bem!! em Paz!!!
Nem imaginas o orgulho que todos temos de ti!!
Já rezava e Passo a Rezar também desta forma por ti!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Cinzas para Guardar em Segredo...


"Quando deres (…), que a tua mão esquerda
não saiba o que faz a tua direita (…)"
S. Mateus 6,1-6.16-18.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Naturezas-Mortas a Não Perder!


António de Pereda y Salgado, Nozes, 1634, Colecção Particular.
Natureza-Morta Na Europa, FCG até 2 de Maio.

H. _ Oh, Deus, eu poderia viver recluso numa casca de noz e considerar-me o
rei do espaço infinito se não tivesse maus sonhos.

G. _ Sonhos que são, de fato, a ambição. A substância do ambicioso é a
sombra de um sonho.

H. _ O sonho em si mesmo é somente uma sombra.

R. _ Verdade. E a ambição, tão frágil e ligeira, apenas a sombra de uma
sombra.
(Shakespeare, Hamlet, Ato II, Cena II)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Exposições interiores

No meio das minhas deambulações na blogosfera, sim, local onde se encontram também textos de qualidade, naõ é só nos livros ou jornais, dei de caras com um texto sobre os efeitos de uma boa conversa.E de repente aquele texto mexeu comigo.Dizia o texto que, por vezes, quando observamos dificuldades na nossa vida ou na dos outros, nos apercebemos que uma boa conversa seria útil para ultrapassarmos estes obstáculos. Isto parece tão óbvio, e no entanto, é tão difícil de conseguir.Por razões diferentes:porque não nos queremos expor, porque isso nos vai fragilizar, porque isso nos leva a um sentimento de inferioridade perante a outra pessoa...E isto mexeu comigo, porque eu tenho que reconhecer que tenho a maior dificuldade numa conversa desse género...que me exponha.Tive algumas experiências menos felizes com isso.Mas realmente não há como crescer e andar em frente.Uma boa conversa, com carinho e frontalidade, ajuda muito.Não expõe necessáriamente a nossa fragilidade.Expõe aquilo que somos e que é tão bom sermos: seres humanos imperfeitos....

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Ontem Jantámos com... Charles de Foucauld!


Shlada Foucauld Bil Foie Gras Briorat Wal Cherry

Amuse Bouche

"Por mais diferentes que sejam as maneiras de orar, em silêncio, a rezar ou em cânticos, profundamente reflectidas ou quase sem intervenção do pensamento, o que lhes confere valor é o amor com que se fazem. A todas elas sem excepção, se aplica o princípio eternamente verdadeiro - a melhor oração é aquela em que há mais amor, e a oração será tanto melhor quanto mais amorosa for".

Charles de Foucauld

Oração de Entrada

Meu Pai,
Eu me abandono a Ti,
Faz de mim o que quiseres.
O que fizeres de mim,
Eu Te agradeço.

Estou pronto para tudo, aceito tudo.
Desde que a Tua vontade se faça em mim
E em tudo o que Tu criastes,
Nada mais quero, meu Deus.

Nas Tuas mãos entrego a minha vida.
Eu Te a dou, meu Deus,
Com todo o amor do meu coração,
Porque Te amo
E é para mim uma necessidade de amor dar-me,
Entregar-me nas Tuas mãos sem medida
Com uma confiança infinita
Porque Tu és...
Meu Pai!

Oração do Abandono, Charles de Foucauld.

Oração Principal
Shlada Foucauld Bil Foie Gras Briorat Wal Cherry
Hout Tagine Bil Hamed Wal Zitoun
Fakiyas Helwa

Oração de Sobremesa

Pai,
À semelhança do Irmão Carlos de Foucauld,
Inspira-nos a discernir no deserto da nossa vida
o caminho que devemos percorrer
confiando ilimitadamente em ti,
no amor inabalável que tens por nós
que nos impele, quando desistimos
que nos desinstala, quando nos acomodamos
que está sempre presente,
apesar da indiferença,
que não desiste e ama.
Ama… Simplesmente,
Sempre.

Amar Sempre, SM gf

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

CAMBIARE IL MONDO CON UN VASO DI FIORI



" (…) oggi potremmo dire che la qualità di una città non è più costituita dall’architettura, ma dai vasi e dai fiori che si trovano dentro".
Andrea Branzi

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Mesa Solidária III


Bem, o artigo do Jornal Público sobre as iniciativas de Vila da Feira, é comovente.Comovente porque finalmente a caridade saiu à rua e brota aqui e ali, um pouco por todo o lado, com muita gente verdadeiramente preocupada.E, grande sinal, a trabalhar no silêncio. Com humildade, permitindo aos que verdadeiramente precisam, que não tenham vergonha.
A iniciativa da Comunidade da Igreja de Santa Isabel em Lisboa é também já uma referência amiga, acolhedora, todas as quintas-feiras.Objectivo, oferecer refeições e convívio a quem precisa.Funciona com equipas rotativas de cozinha e sala, e neste momento só funciona ainda uma vez por semana.Para quem lá vai, e éramos cerca de noventa pessoas na passada quinta-feira, é uma experiência arrebatadora, diria mesmo que nos tira um pouco o ar.Primeiro o preparar a refeição, permite um espírito de entre-ajuda, compreensão, disponibilidade para conhecer o outro, bastante grandes.E depois, servir a refeição.E estar sentado à mesa com as várias pessoas.Ir saltitando de mesa em mesa e conhecendo pessoas maravilhosas.Com um mundo tão diferente do meu.As senhoras de bata vermelha que tinham deixado os maridos em casa , porque já estão velhotes e não podem apanhar frio...e assim a gente está mais à vontade...sem pressas....a contarem-me os 60 e tal anos que já tinham de Campo de Ourique e de Santa Isabel...outros tempos, menina, outros tempos....
Noutra mesa, três homens, com um aspecto mais sofrido, mas com uns sorrisos enormes a iluminar as caras escuras do vento e da chuva...ouvimos falar disto e agora vimos sempre....até tomamos café e comemos bombons...e ainda falamos com as meninas....
Muita descrição, humildade, alegria imensa, imensa.Estampada em todas as caras.....Está cá para a semana?...se Deus me der saúde, se a saúdinha o permitir....
Por mim, agradeço.Profundamente, mais esta aproximação verdadeira que me foi proporcionada.