sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
No comments!
While concerns over the global economy and European debt problems linger into 2012, thousands of Japanese business people were on Wednesday making their annual trek to pray at a shrine in Tokyo considered to be lucky for business
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
«As nossas vidas são minas de ouro ocultas»
Há uma velha história que diz que depois de Deus ter concluído a criação, todos os animais dançaram alegremente, descobrindo as maravilhas que os seus corpos podiam fazer; todos menos os pássaros.
Enquanto os outros animais tinham belas pernas para correr ou grandes barbatanas para nadar, tudo o que os pássaros tinham eram pernas pequenas e finas que só lhes permitiam dar uns passitos. E, pior, tinham pesados sacos de penas presos aos ombros.
“Porquê nós?”, lamentaram os pássaros. “Porque é que temos de saltitar com estes pesos pesados nas nossas costas quando todos os outros animais podem correr, nadar e divertir-se? Porque é que Deus não gosta de nós da mesma maneira que gosta dos outros?” E então sentaram-se e amuaram. Após um longo tempo uma voz serena chegou até eles através da brisa. “Desembrulhem esse embrulho pesado que têm nas vossas costas, abram-no todo e agitem-no na aragem”. Foi o que os pássaros fizeram, ainda que relutantemente. Abriram os “pesados sacos de penas” e descobriram que eram asas! Sacudiram-nas com toda a força que tinham. E em menos de nada estavam a voar, elevando-se bem acima de todos os outros animais. Foi então que os seus corações cantaram “Somos aqueles que Deus mais ama!”
Pensavam que eram pobres quando na verdade eram ricos.
Deus abençoou cada um de nós com um “pacote” de dons, perfeitamente ajustado a cada fase da nossa vida. No entanto poucos de nós alguma vez viram ou confiaram em metade desses dons e poderes que Ele colocou nas nossas mãos. É por isso que as nossas existências são mais pobres e menos felizes do que Deus desejou. Por que é que isto acontece? Talvez por nós sermos aqueles pássaros, que aprenderam a dar pequenos passos e pensaram que não havia mais nada para eles – só saltitando sempre e para sempre. Deixaram de procurar o seu melhor dom.
É o que nós fazemos constantemente, às vezes porque temos medo que não haja mais nada dentro de nós, e outras vezes porque as pressões para “fazer alguma coisa!” – escolher uma carreira, um companheiro – fazem com que fechemos os nossos olhos, deixando alguns dos nossos dons intocados e ocultos, o que significa ficarmos sem algumas dos instrumentos essenciais que precisamos para construir a vida. Imagine tentar construir uma casa sem um martelo ou uma serra!
Deus quer para nós vidas felizes. É por isso que nos ofereceu tantos dons, tantos instrumentos. No evangelho deste domingo Ele pede-nos para lançarmos outro olhar ao que nos deu: será que já descobrimos tudo? Será que estamos a usar e usufruir de tudo? Se não, estamos literalmente a tirar vidas felizes de nós próprios e de quem nos ama. Jesus pede-nos para que não deixemos que tal aconteça.
Escute-o. Olhe outra vez com olhos de ver: ficará admirada com a mina de ouro sobre a qual está sentada há tantos anos. Ficará admirada e Deus ficará muito satisfeito!
Mons. Dennis Clark
In Catholic Exchange
Trad. / adapt.: Rui Jorge Martins
© SNPC (trad.)
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Courage, temps d'aimer et sense d'humour
Por que será que me acabei de lembrar da maravilhosa Karen Blixen?
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Já podemos reservar BULE outra vez!

Começámos por ir ao chazinho pela mão das avós e das mães,
Ao chá, aos scones e ao clássico bolo de caramelo que ainda hoje
quando se evoca, faz crescer água na boca!!!
No liceu voltávamos lá com as amigas para
recordar os melhores cheiros e sabores da infância…
Na faculdade … havia os namorados que tinham garrafa no Plateau e
os que faziam toda a diferença porque tinham Bule nas Vicentinas!
Em família ainda suspiramos pelos pastelinhos, croquetes, rissóis e empadinhas e agora desforramo-nos ao almoço, neste sítio lindíssimo que acaba de reabrir, com as receitas de então e com as novas comidinhas confeccionadas pelas mãos da Mariana e de um grupo fabuloso de voluntárias que hoje nos alegrou o dia!
Vale mesmo a pena! Não deixem de aparecer!
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
A última crónica de Tolentino Mendonça no DN da Madeira
Muitas vezes, a meio da viagem, os viajantes se perguntam pelo que persistirá, uma vez concluído o caminho. O que persistirá destas paisagens que atravessamos, em solidão e companhia; disto que já foi tão real diante de nós como nós próprios; disto pelo qual lutamos e vivemos; disto que o mundo encosta ao nosso ouvido como um segredo; disto que nos faz chorar e rir; disto que nos colocamos a amar desabaladamente? Uma vez concluído o caminho, que resta aos viajantes? Que podem eles trazer ou conservar ou repartir? Gosto de pensar nas palavras de Sophia de Mello Breyner: «Feliz aquela que efabulou o romance/depois de o ter vivido/[…] E sob o fulgor da noite constelada/ À beira da tenda partilhou o vinho e a vida».
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
«Restabelecer as Vizinhanças»

Movimento e Imobilidade
O espírito dos Encontros TenChi
Na linha dos Encontros TenChi, que se prendem com a transmissão da mensagem espiritual do Oriente e do Ocidente, a Associação TenChi Internacional propõe uma jornada de reflexão e de prática no contexto actual em que o homem contemporâneo aspira a reequilibrar os seus modos de vida em todos os planos, corpo, alma, espírito. A espíritualidade no Oriente e no Ocidente partilham um fundo comum, o amor. Neste contexto o TenChi convidou algumas personalidades que foram tocadas por uma mensagem que se dirige ao coração. Faouzi Skali, Katia Légeret, Paulo Borges, Yves Crettaz e Georges Stobbaerts serão os intervenientes neste encontro que partilharão convosco a sua procura e as suas experiências.
A Prática
Concretamente, o nosso dia será pontuado por diferentes ateliers no sentido desta procura. Iluminada pela atenção, a pratica pode conduzir-nos à compreensão e à dissolução de tensões, deixando florir em nós o sentimento de unidade. As praticas são a ponte entre o céu e a terra. Elas ajudan a encontrar a sua propria linguagem gestual através de uma ancoragem interna e por uma abertura do corpo e do coração à energia universal. Elas são um meio para abrir as portas de nós mesmos. Os ateliers descoberta são abertos a todos, qualquer que seja a sua condição física ou idade.
Só conhecer o espaço dos meus vizinhos Sintrences é uma verdadeira viagem!
Podem consultar todo o Programa aqui.
domingo, 2 de outubro de 2011
O poema ensina a cair: sentado
CHANCE ENCOUNTER ON THE TIBER from Renato Chiocca on Vimeo.
Podepode sentar-se senhora
Eu não sou senhora eu não sou menina
(...) sento-me que de pé sou um balão vazio
(...) Sento-me
senhor professor doutor.
Eu não sou senhor professor doutor
minha não-senhora minha não-menina
e se estou de pé é ilusão de óptica
eu estou sentado todos nós sentados
isto é não rígidos não equilibrados.
Luiza Neto Jorge
sábado, 1 de outubro de 2011
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Bispo do Porto inaugura "experimenta design"
«Nós transportamos para o presente e para o futuro, é isso que nos projecta, uma capacidade de agir, de interagir e reconstruir». D. Manuel Clemente observou que a crise pode servir para que Portugal «se retome por aquilo que é», e acrescentou: «Somos muito, podemos ainda ser mais».
O presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações falou aos jornalistas após a conferência de abertura da bienal, que este ano é dedicada ao tema ‘Useless’. O prelado considerou que o debate em volta da «utilidade e inutilidade» é da «maior relevância num momento de profunda interrogação acerca do presente».
«Se estamos mesmo convencidos de que o eixo, o nó, o fulcro de qualquer resolução é a dignidade de cada pessoa humana, devemos rever as prioridades», declarou o Prémio Pessoa 2009.
Na sua conferência, D. Manuel Clemente apelou a uma utilidade que não reduza as pessoas a «utensílios», valorizando «uma complementaridade essencial» no ser humano e na sociedade, de modo que todos sejam «úteis». «Entre pessoas, o tempo nunca é dinheiro, porque cada uma delas é o máximo valor», assinalou o prelado, que apelou à «restauração das vizinhanças» e à promoção da «interculturalidade» na organização das cidades.
O bispo do Porto afirmou que os portugueses são marcados por «algum pessimismo», que se contrapõe a uma visão dos estrangeiros sobre Portugal, visto como «uma cultura interessantíssima», num «ambiente muito agradável».
«Queríamos abrir as conferências de Lisboa não com um designer, arquitecto ou alguém da comunidade criativa, mas com alguém que pudesse trazer um olhar diferente sobre a ideia do uso», explicou a directora da bienal, Guta Moura Guedes, ao justificar a escolha de D. Manuel Clemente para a conferência de abertura da EXD 11.
A responsável apresentou o bispo do Porto aos participantes como uma das «mais importantes figuras da cultura portuguesa».
O site da bienal, que termina a 27 de Novembro, refere que o programa «propõe um questionamento aprofundado da ideia de utilidade e do conceito de “sem uso”», constituindo, nas palavras da directora, o tema “mais provocador” da história de uma iniciativa que em 2011 apresenta 126 eventos e 164 convidados de 18 países e quatro continentes.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
E por falar em imprevisível coração...
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Que rentrée tão retardada!!
Nota-se bem que andamos todos com vidas muito ocupadas! Mas o que é que se passa? Nem um post pequenino, nada para animar este maravilhoso e fantástico blog? Muda o Governo, o país continua em desagregação, com uma heração socrática de primeira linha, com jardins à beira mar mal plantados e ninguém, mas ninguém, escreve uma palavrinha por aqui???É que a vida não pára... A Lili Caneças diz que é existencialista , que numa fase da vida dela só se vestia de preto e lia Simone de Beauvoir; o grande e paciente Sporting , lá vai enchendo o bico, jogo a jogo; o Museu do Cinema/Cinemateca Portuguesa passou a fazer parte de um aglomerado de empresas.Ou seja, ali as instalações da Barata Salgueiro passam a ter um letreiro a dizer «PREMAC -alugam-se/vendem-se microfilmes do património cinematográfico português».
Vá lá, apareçam. Como já tenho muitas saudades de todos, deixo-vos esta oração escrita por Tolentino Mendonça, dedicada aos amigos:"Obrigado, Senhor, pelos amigos que nos deste. Os amigos que nos fazem sentir amados sem porquê. Que têm o jeito especial de nos fazer sorrir. Que sabem tudo de nós, perguntando pouco. Que conhecem o segredo das pequenas coisas que nos deixam felizes. Obrigado, Senhor, por essas e esses, sem os quais, caminhar pela vida não seria o mesmo. Que nos aguentam quando o mundo parece um sítio incerto. Que nos incitam à coragem só com a sua presença. Que nos surpreendem, de propósito, porque acham mal tanta rotina. Que nos dão a ver um outro lado das coisas, um lado fantástico, diga-se.Obrigado pelos amigos incondicionais. Que discordam de nós permanecendo connosco. Que esperam o tempo que for preciso. Que perdoam antes das desculpas. Essas e esses são os irmãos que escolhemos. Os que colocas a nosso lado para nos devolverem a luz aérea da alegria. Os que trazem, até nós, o imprevisível
do teu coração, Senhor".
quarta-feira, 6 de julho de 2011
O fim da comédia cultural?
sexta-feira, 1 de julho de 2011
40 anos de carreira, 67 de vida. Joaquim Benite criou uma companhia e um dos maiores festivais de teatro!
Porquê?Destruiu tudo o que estava feito, mudava de opiniões e nomeou uma pessoa absolutamente inclassificável, sem preparação para director geral das artes, o João Aidos. A ex-ministra é uma boa pianista, fez um bom trabalho na Orquestra Metropolitana, mas tornou-se frívola e deslumbrou-se com ministério. Depois resolveu cortar nos subsídios das principais companhias. A mim tirou-me 150 mil euros e não posso perdoar a quem me tira esse dinheiro».
quarta-feira, 22 de junho de 2011
A Poesia Portuguesa no Vaticano
«O SILÊNCIO
Regressamos a uma terra misteriosa
trazemos uma ferida
e o corpo ferido
imprevistamente nos volta
para margens mais remotas
Giorgio Armani tinha declarado
àquele jornal inglês: «o luxo desagrada-me,
é anti-democrático.
Quero agora homenagear os operários de todo o mundo»
Eu só pensava em São João da Cruz
enquanto ouvia pela enésima vez:
«a moda substituiu o luxo
pela elegância»
João da Cruz fala de coroas,
resplendores, casulas
véus de seda, relicários de ouro e
diamantes
para lá do jogo das nossas defesas
qualquer coisa interior
a intensa solidão das tempestades
os campos alagados,
os sítios sem resposta
o teu silêncio, ó Deus, altera por completo os espaços»
José Tolentino Mendonça
quarta-feira, 8 de junho de 2011
segunda-feira, 30 de maio de 2011
sexta-feira, 27 de maio de 2011
À PROCURA DA PALAVRA
P. Vítor Gonçalves
DOMINGO VI DA PÁSCOA
“…o Espírito da verdade...
habita convosco e está em vós.”
Jo 14, 17
O manual de instruções
Quem ainda nunca sentiu o fascínio que é montar um móvel comprado na IKEA (passe a publicidade)? Começa logo na escolha das inúmeras possibilidades de combinações e a promessa de cada um poder ser um verdadeiro carpinteiro e decorador. Depois é a aventura de seguir, passo a passo, as instruções do manual como se fosse um livro mágico que, de placas e parafusos caóticos, convida a criar a obra prima que poderemos apresentar aos amigos (ou obriga a telefonar a quem entenda porque a mesa se transformou em estante!). Alguém já lhe chamou o “lego” dos adultos, capaz de devolver uma certa nostalgia perdida de cada um dar um toque pessoal até àquilo que reveste a sua casa. Os materiais podem não ser muito duráveis, mas isso também tem o aliciante de uma renovação de tempos a tempos.
Maravilha-me o tempo pascal porque ele nos remete sempre aos tempos iniciais da Igreja e da criação das primeiras comunidades. De como com aqueles materiais frágeis dos discípulos e até dos seus erros e pecados Deus foi consolidando comunidades irradiadoras da Boa Nova. Foram também as circunstâncias que criaram possibilidades de novos serviços e até as perseguições ajudaram a não enclausurar o evangelho. E, tudo isto, sem um manual de instruções! Ou melhor, descobrindo que o verdadeiro manual de instruções se chama Espírito Santo. Os materiais eram e são simples: a vida vivida com autenticidade, os mandamentos de Jesus acolhidos e cumpridos, o respeito e a liberdade perante a tradição, o amor a consolidar tudo. E o Espírito da verdade a habitar connosco e em nós.
Por isso, pior que o erro e o engano é aprisionar a liberdade de escolher, é aguentar uma “meia-vida” porque “tem de ser” e não aceitar que se errou e é possível uma transformação. São Pedro seria, na lógica de muitas organizações, uma improvável escolha para a missão de “confirmar os irmãos na fé”. Claro que o Espírito da verdade o ajudou a trazer ao de cima do coração e da boca o que nele era essencial: “Senhor, sabes tudo, bem sabes que te amo!”. Nele se confirma a sábia frase que o filme “Encontrarás dragões” (sobre a guerra civil espanhola e os primeiros anos da vida de S. Josemaria Escrivá) apresenta nos seus cartazes: “Todos os santos têm um passado”. Falta acrescentar a segunda parte: “E todos os pecadores, um futuro”!
Acreditar que o Espírito Santo é “manual de instruções” para a Igreja e para a vida de cada cristão é assumir a sua escuta como tarefa quotidiana e encarar os erros como novas possibilidades de construção. Não somos “pau para toda a colher”, não temos os dons todos nem somos capazes de tudo. Mas aquilo que damos com alegria Deus sabe multiplicar. E, como diz um amigo meu:” Sei que, ainda que erre no meu caminho, Deus não desistirá de me chamar à vida em plenitude!”
terça-feira, 24 de maio de 2011
A blogosfera da Cultura Institucional
«Já foi aqui devidamente notificado que o Ministério da Cultura apagou dois posts relacionados com o facto de este organismo público ter usado meios públicos para distribuir propaganda do PS. Usando a cache do Google foi possível recuperar esses posts mas como a cache acaba por desaparecer, aqui ficam os textos em questão para memória futura.A título de curiosidade, também se incluir a equipa do blog, composta por cinco colaboradores, a qual produziu uma estrondosa audiência diária média de 214 visitantes. Uma outra curiosidade reside no facto de este blog, à semelhança de diversos blogs com afinidades socialistas, ter a moderação de comentários activada, com escassos comentários aprovados (haveria mais? com moderação de comentários nunca se saberá) e de teor globalmente positivo.1. Post existente no blog oficial do Ministério da Cultura antes de ter sido apagado pelo próprio ministério e no qual o programa do PS é divulgadoLink original: http://bloguedacultura.blogspot.com/2011/05/progra ma-eleitoral-legislativas-2011.html
SEGUNDA-FEIRA, 9 DE MAIO DE 2011Programa Eleitoral Legislativas 2011
Publicado por Gabriela Canavilhas
Política para a Cultura
O Partido Socialista, historicamente, tem sido responsável, em Portugal, pelas principais medidas políticas que reconheceram o valor simbólico e estrutural da Cultura e que estabeleceram as estratégias globais para a afirmação da sua acção.O compromisso com a Cultura terá continuidade, nas suas linhas estruturais gerais ` a preservação da memória histórica e patrimonial e a renovação contínua do conhecimento e da criação ` assentes na Língua Portuguesa como património identitário partilhado por mais de 250 milhões de pessoas em todo o mundo, no nosso património móvel, imóvel e imaterial, e na actividade artística, em todas as suas expressões.A transversalidade económica que resulta da actividade cultural, a qualificação e a capacitação dos cidadãos através do conhecimento e o reforço da respeitabilidade internacional da cultura portuguesa, são os objectivos fundamentais da política cultural, que constitui um dos principais vectores da afirmação nacional, quer no plano interno, quer no plano externo.Para a consolidação das estratégias de afirmação do património cultural e do tecido cultural português, importa prosseguir a qualificação das estruturas, dos equipamentos e dos recursos dos criadores portugueses, através: a) Do reforço das redes de parcerias com as autarquias e a sociedade civil, nas áreas do património, das artes, nas estruturas de produção artística, nos equipamentos culturais e recursos humanos, sedimentando e desenvolvendo projectos como: Rotas das Catedrais, Rede de Monumentos do Património da Humanidade, Rota do Românico no noroeste peninsular e Rede de Bibliotecas Municipais; do reforço do papel da RTP na preservação e divulgação patrimonial e artística; e ainda, criando projectos estruturais como a Rede Portuguesa dos Teatros Municipais e Rede de Cinema Digital. b) Do reforço das medidas de preservação patrimonial, através do Sistema Nacional de Conservação para o Património Imóvel e do estabelecimento de novas parcerias com o poder local para consolidação de regeneração urbana nos Centros Históricos; da recolha e tratamento do Património Imaterial português, do desenvolvimento do Portal Português de Arquivos e do Manual e Planos de Preservação Digital e do reforço do desenvolvimento de conteúdos da Biblioteca Nacional Digital; da implementação do Regime Jurídico para o Depósito Legal das Imagens em Movimento e Depósito Legal de Publicações Bibliográficas; da criação de um museu dedicado às Descobertas Marítimas e à Expansão da Cultura Portuguesa no Mundo, da intervenção de remate do alçado poente do Palácio Nacional da Ajuda; da criação do Arquivo Sonoro Nacional e da instalação do Museu Nacional da Música em espaço definitivo, c) Do reforço dos mecanismos de financiamento do sector cultural, através da revisão da Lei do Cinema e da Lei da Cópia Privada; da implementação de mecanismos de combate à pirataria de bens autorais na NET; da criação de um organismo de gestão comum aos Teatros Nacionais e da promoção de modelos de gestão dos museus e palácios envolvendo os cidadãos, as comunidades e as entidades de economia social; da criação do Estatuto do Bailarino e do Fundo de Reconversão Profissional dos bailarinos; de melhoramento dos mecanismos de fiscalização e repartição equitativa nos apoios às actividades artísticas independentes visando a coesão, desenvolvimento regional e reconhecimento do mérito; e ainda, da criação de novos programas de incentivo e promoção à actividade artística amadora. d) Do reforço dos mecanismos conducentes à Internacionalização da Cultura Portuguesa, através da criação do Fundo para a Internacionalização; do regime jurídico que promova a Mobilidade Internacional de obras e autores; de programas de incentivo fiscal às produções internacionais de cinema que decorram em Portugal; do programa INOV-ART de estágios internacionais para jovens criadores; da articulação com o Instituto Camões e o IPAD nas iniciativas de promoção cultural externa; de reforço às traduções de autores portugueses e em programas de apoio às empresas do sector industrial criativo e cultural; na afirmação de Guimarães Capital 2012 Capital Europeia da Cultura como projecto estrutural de projecção internacional da cultura portuguesa; na consolidação das parcerias com os países lusófonos nas diversas áreas do sector cultural, nomeadamente no reforço da importância da Língua Portuguesa como factor de unidade estratégica nas políticas externas no quadro da Lusofonia e na afirmação de Portugal no plano internacional; ainda, no acompanhamento das iniciativas e missão do Instituto Internacional de Língua Portuguesa, consolidando a aplicação do Acordo Ortográfico em Portugal e nos países da CPLP; finalmente, importa reforçar a presença de Portugal nas organizações e actividades internacionais em prol da cultura, designadamente no contexto da União Europeia, do Conselho da Europa e da UNESCO.
2. Post existente no blog oficial do Ministério da Cultura antes de ter sido apagado pelo próprio ministério, onde a ministra da cultura apresenta o seu ponto de vista quanto ao facto de ter publicado o programa do PS no blog oficial do ministério da culturaLink original: http://bloguedacultura.blogspot.com/2011/05/esclarecimento.html
SEXTA-FEIRA, 20 DE MAIO DE 2011
Esclarecimento Publicado por Gabriela Canavilhas
A presença neste blogue do programa eleitoral do Partido Socialista para a Cultura desencadeou reacções acaloradas, nomeadamente, do Bloco de Esquerda, que considera que o Ministério da Cultura abusou dos seus meios institucionais para propaganda política.Na verdade, o actual Ministério da Cultura é um dos organismos do XVIII Governo Constitucional, formado pelo Partido Socialista, e aplica o seu programa governativo emanado do seu programa eleitoral, apresentado ao eleitorado em 2009. Não é um organismo apartidário, como muito bem sabe o BE. De resto, ao longo dos 17 meses do seu mandato, o BE não se cansou de criticar as suas políticas e de criticar o PS como matriz ideológica dessas políticas. O Ministério da Cultura, tal como os restantes organismos governamentais, não são apartidários nem independentes na concepção ideológica da sua estratégica política. São independentes apenas na implementação da sua acção política - que se destina a todos os portugueses, independentemente das opções de cada um.E não cultiva a hipocrisia.-Aspecto gráfico do post em questão:-(O print screen completo do post pode ser enviado a quem tal o peça.)
Mensagem existente no blog oficial do Ministério da Cultura a anunciar o fecho do blog
SÁBADO, 21 DE MAIO DE 2011 Publicado por Gabriela Canavilhas
A campanha eleitoral inicia-se oficialmente amanhã.Consideramos que este espaço cumpriu a sua missão e que encerra aqui a sua função.Um bem haja a todos que o visitaram e que com ele interagiram durante os 7 meses em que esteve ao serviço de uma maior comunicação e divulgação da nossa acção em prole da Cultura»
Obrigada, Sra. Ministra, por ter sido tão séria em ter encerrado o blogue antes do período eleitoral começar.Outros não teriam tido a mesma atitude.Tive pena que os meus comentários não tivessem sido publicados, mas acontece que não sou grande «espingarda» nestas coisas da internet e, porventura, não chegaram lá.
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Manuel António Pina -Prémio Camões 2011
E entre mim eu, isto é, palavras,
formas indecisas
procurando um eixo que
lhes dê peso, um sentido capaz de conter
a sua inocência
uma voz (uma palavra) a que se prender
antes de se despedaçarem
contra tanto silêncio.
São elas, as tuas palavras, quem diz «eu»;
se tiveres ouvidos suficientemente privados
podes escutar o seu coração
pulsando sob a palavra da tua existência,
entre o para cá de ti e o para lá de ti.
Tu és aquilo que as tuas palavras ouvem,
ouves o teu coração (as tuas palavras «o teu coração»)? »
Manuel António Pina
terça-feira, 5 de abril de 2011
terça-feira, 29 de março de 2011
terça-feira, 15 de março de 2011
oração da manhã
DESPOJADA DE MIM, ENFIM TE ENCONTRO
Ensina-me hoje, Senhor, a prece de um coração arrependido.
que não permite que sejas Tu o único Senhor da minha vida.
É que me prendem muitos medos:
Medo da solidão
e dos dias que correm.
Medo da doença.
Medo da notícia que há-de vir.
São redes que me prendem estes medos.
Sou eu
e não Tu, Senhor Jesus,
quem está no centro da existência que me deste.
Por Tua graça, ensina-me a coragem de fazer do meu coração, um coração que confiante se abandona.
E que chegue o silêncio e o espaço vazio,
em que, despojada de mim,
enfim Te encontre,
enfim me encontre.
domingo, 13 de março de 2011
Querida Miss, é possível descrever a amizade?

sexta-feira, 11 de março de 2011
sexta-feira, 4 de março de 2011
«A poesia de cada dia nos dai hoje», Adília Lopes
Desinstala-nos o pensamento. Faz-nos voar , alto, alto. Cair e voltar a levantar voo. Querer voltar a ler Adília Lopes, deliciosamente.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Há que ter «Olhos de ver»!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Diocese de Beja + Biodiversidade

Igreja da Safira, Montemor.
As igrejas históricas do Baixo Alentejo vão cruzar-se com a biodiversidade num projecto que visa a promoção da paisagem desta região de Portugal. O objectivo é o desenvolvimento do turismo ambiental, a salvaguarda da natureza e colocar um holofote nestas igrejas que são património histórico.
O projecto resulta de uma parceria entre o Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) e o Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja (DPHADB).
O director do DPHADB, José António Falcão, explicou hoje que o projecto visa “mobilizar a participação da sociedade civil para salvaguardar valores naturais e culturais do Baixo Alentejo”. A ideia surgiu depois do departamento verificar a riqueza das envolventes dos monumentos religiosos, “sobretudo em zonas rurais, são verdadeiros santuários da vida selvagem”.
As torres dos campanários são “pontos privilegiados de nidificação” para algumas aves, como o francelho e a cegonha, e os adros e outros espaços em redor dos templos “reúnem condições excepcionais para a preservação da fauna e da flora” e são locais de refúgio de aves ameaçadas, como a abetarda e o sisão. Neste sentido, o projecto vai, “em primeiro lugar, ajudar a salvaguardar a biodiversidade” e, por outro lado, “trazer nova vida” a monumentos religiosos.
Trata-se de igrejas e ermidas históricas situadas em meio rural e que, “devido ao isolamento ou por já não serem utilizadas para culto permanente, encontram no património natural um bom motivo para serem visitadas e terem uma função social útil”, explicou. O projecto vai incidir sobretudo na zona do Campo Branco, que abrange os concelhos de Aljustrel, Almodôvar, Castro Verde, Mértola e Ourique, na Zona de Protecção Especial de Cuba e no Vale do Guadiana, disse.
Participação da comunidade
Uma das acções do projecto vai criar rotas de turismo ambiental para “desafiar os automobilistas a descansar algumas horas, saindo dos percursos de estrada e seguindo por caminhos secundários, para conhecerem alguns dos sítios da região mais espantosos em termos de conservação da biodiversidade”.
Os trabalhos vão passar também por “dinamizar a participação da comunidade”, sobretudo de escolas e agricultores, para desenvolver acções simples e pouco dispendiosas. A “melhoria de pontos de água”, as chamadas “fontes santas”, que existem junto a templos, e a plantação de pequenas searas de feijão-frade ou outras leguminosas, são algumas das ideias que “podem ajudar a fixar e a alimentar aves ameaçadas”, como a abetarda e o sisão, disse.
O projecto vai envolver escolas na monitorização da fauna selvagem, através de “câmaras web” instaladas em sítios estratégicos e que “podem fazer a diferença para a sobrevivência de espécies ameaçadas”.
O protocolo entre o ICNB e o DPHADB para implementação do projecto vai ser assinado na terça-feira, numa cerimónia a partir das 11h30 na igreja matriz de Mértola.
in Público,
(Lusa_10.01.2011)
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
O Presépio somos nós
É dentro de nós que Jesus nasce
Dentro destes gestos que em igual medida
A esperança e a sombra revestem
Dentro das nossas palavras e do seu tráfego sonâmbulo
Dentro do riso e da hesitação
Dentro do dom e da demora.
Dentro do redemoinho e da prece
Dentro daquilo que não soubemos ou ainda não tentamos
O Presépio somos nós
É dentro de nós que Jesus nasce
Dentro de cada idade e estação
Dentro de cada encontro e de cada perda
Dentro do que cresce e do que se derruba
Dentro da pedra e do voo
Dentro do que em nós atravessa a água ou atravessa o fogo
Dentro da viagem e do caminho que sem saída parece
O Presépio somos nós
É dentro de nós que Jesus nasce
Dentro da alegria e da nudez do tempo
Dentro do calor da casa e do relento imprevisto
Dentro do declive e da planura
Dentro da lâmpada e do grito
Dentro da sede e da fonte
Dentro do agora e dentro do eterno
José Tolentino de Mendonça
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Feliz Natal
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
domingo, 12 de dezembro de 2010
Gafes... num sítio onde se não dá só de comer!

Sopa de ervilhas, carne de porco com castanhas, baba de camelo e doce do céu. A ementa está escrita num quadro à porta do salão paroquial da igreja de Santa Isabel, em Campo de Ourique, cuja porta abriu às 19.30. Qualquer pessoa - muito, pouco ou nada necessitada - pode aparecer. A acolhê-la, está um "dono da casa", espécie de chefe de sala deste restaurante sui generis onde todo o serviço (confecção, compra e recolha de alimentos) é feito por voluntários e financiado por dádivas diversas. Tão diversificadas como se desejam os clientes - de idosos da zona a gente que "vem de autocarro de Benfica e de Belém"; de reformados e desempregados a crianças de um colégio privado que esta noite vêm, no âmbito da disciplina de "Solidariedade", passar uma noite com "pessoas que não têm a possibilidade de ter uma refeição destas todos os dias" (Joaquim, 10 anos); de sem abrigo a paroquianos entre rezas e reflexões comunais que vêem nisto uma parte da sua prática religiosa; ou, simplesmente, quem goste do ambiente e da comida e do preço e faça disto um hábito.
Hoje a dona da casa é Mafalda Folque. 45 anos, funcionária do Ministério da Cultura, católica mas da "equipa" da capela do Rato ("O meu marido é que costuma vir a Santa Isabel"), dirige a sala esta noite. É dela que Maria de São José Tavares, 54 anos, médica, em estreia nestas lides, recebe instruções de como orientar o serviço de café e chá. "Venho porque acho que devemos ter um papel de solidariedade e de partilha. E que é preciso multiplicar as iniciativas, em vez de ficarmos à espera que alguém faça", diz a novata. "Isto em vez de ser a excepção devia ser uma rotina."
Está tudo no lugar - os pratos e as velas acesas nas mesas, a sopa em caldeirões ao fundo do lado direito mais os jarros de água, os tabuleiros com a carne e o arroz do lado esquerdo - quando chega o primeiro conviva, Agostinho Machado, 83, ex-pintor da construção civil. Um homem pequenino, com uma reforma de 240 euros, que vive com o filho, "empregado numa casa qualquer". "Ele ganha pouco, se eu não precisasse não vinha cá. E aqui como o comer quentinho, é bom. Ao menos enche a barriga." Soube da ceia na igreja ("Moro aqui ao pé, sou católico. Casei aqui. Há muitos anos") e sobre a clientela é reservado. "Há de tudo. Conheço pessoas, mas há pessoas com quem não se pode ter muita conversa. A gente nunca deve dar confiança."
"Fazer comunidade"
Confiança, dir-se-ia, é exactamente o que se oferece aqui, nesta ideia de mistura, de sentar toda a gente na mesma mesa. Isso que exalta a voz de Maria Cortez de Lobão, 49 anos, auto classificada "mãe de família" (sete filhos entre os 20 e os 4): "Não é só um sítio onde se dá de comer. É dar o que somos, fazer comunidade". Maria é a pessoa que na Igreja de Santa Isabel referem como a certa para explicar o que é isto, esta ceia de que se ouviu falar e onde qualquer pessoa pode ir, lançada em Janeiro deste ano às quintas e, desde Outubro, também aos domingos. "A ideia disto era prover a outro grupo de pessoas que não aquelas para as quais já há respostas organizadas. Não sabemos quando as pessoas precisam... Vem aqui gente que à partida não pareceria precisar e só ao fim de muitos dias se abre - se se abrir - e ficamos a saber que tem necessidades. É isso que queremos: que ninguém fique sozinho com as suas aflições." A construção da ideia levou mais ou menos seis meses. Foi preciso fazer obras e equipar uma pequena cozinha (frigorífico, máquina de lavar loiça industrial, fogão) e organizar equipas de voluntários que, entre os que recolhem os géneros, os que cozinham e os que ajudam na sala e arrumam no fim, somam cerca de 130 pessoas. E foi preciso, claro, arranjar dinheiro para pagar o que tem de ser pago. "Nunca se gasta menos de 400 euros por jantar, mesmo com tudo o que é oferecido." A sopa das quintas-feiras (hoje de ervilha, 20 litros), por exemplo, vem do restaurante Avis, recolhida por um administrador de uma empresa da área da comunicação que se apresenta como "sopeiro" (noutros dias é "dono da casa") e prefere ser identificado só como "António". O pão, 50 "bolinhas de mistura" com o valor de venda de 8,50 euros, é oferta da Panificação Mecânica, da Rua Silva Carvalho, cujo proprietário, António Martins Gaspar, 64 anos, se preocupa "com as pessoas que têm necessidade de ir à ceia e não vão por vergonha, enquanto outras com dinheiro no banco vão lá", e "levantado" pela voluntária Rosália Tatone, 69 anos, que, reformada com 360 euros e a pagar 200 de renda, acumula com a frequência das ceias. O minimercado Aba, onde se compram "os frescos", ofereceu um saco de alfaces e cheiros no valor de 20 euros, correspondente a mais de um terço da conta, que inclui de legumes e fruta a ovos e leite condensado e é recolhida por Pedro Andrade e Sousa, 57 anos, empresário da construção. "Temos um apoio do Recheio Cash & Carry que vamos buscar uma vez por mês, mas quisemos fazer as compras no bairro não só para ajudar o comércio local e insistir nesta ideia de comunidade, como porque é mais fácil assim; para ir buscar coisas a um hipermercado ou ao Banco Alimentar era preciso outra logística, mais complicada", explica ainda Maria.
E o dinheiro vem de onde? "Dádivas diversas", que incluem um escritório de advogados, uma fundação e variados anónimos. E o produto das contribuições que nas noites da ceia são depositadas numa caixa colocada na sala para o efeito, e que pode ficar vazia ("Só aconteceu uma vez") ou meio cheia mas que raramente ultrapassa os 40 euros - um décimo do custo estimado para os 80 jantares (uns 700 por mês) que têm sido a regra.
Podia sair muito mais barato, mas a resolução de partida era "dar uma boa refeição", com sopa, carne ou peixe e sobremesa. Comida de que todos gostassem, receitas escolhidas pelos voluntários entre aquilo para que "tivessem jeito". Comida que todos comem, incluindo, no fim da noite (que acaba às 9 e tal), quem cozinha - hoje Amélia Nogueira Pinto, 46 anos, neurologista, Cristina Melo Vieira, 49, fisioterapeuta, Maria João Robalo, 47, educadora de infância e Mafalda Folque (filha da dona da casa de serviço), 15 anos, estudante. Desde as cinco da tarde que se afadigam à volta do tacho onde 13 quilos de carne, quatro de castanhas e outros tantos litros de vinho borbulham.
Um espaço interdito a quem não esteja fardado de toca e bata, como Duarte, Miguel e Tomás, 15/16 anos, que ajudam a pôr as mesas, dispõem a fruta em taças e depois andam de mesa em mesa, a distribuir piropos e beijos às senhoras. Como a artista gráfica Maria Adelaide Nobre, 79 anos joviais malgrado de uma trombose há 10, que conta histórias dos jornais e "daquele do laço" (Baptista Bastos) e vive desde que nasceu na mesma casa de Campo de Ourique. Ou Maria Cândida de Marques Antunes, 78 anos, reformada da casa de tintas Varela, que só recebe 200 euros de reforma porque nunca descontou para a Segurança Social: "Antes do 25 e Abril não descontávamos. Nem eu nem ninguém."
Noutra mesa, Hélder Lopes, 42 anos, e Elsa Teixeira, de 46 são, descontando as crianças que hoje vieram, dos clientes mais novos. Já se conheciam antes e vêm, dizem, "para conviver, passar o tempo" - ele identifica-se como funcionário público, ela como trabalhando nas Amoreiras. Não frequentadores das igrejas da zona, souberam disto pela mãe dele. E acham bem: "Toda a gente precisa uns dos outros."
"O amor de Deus"
Há quem apareça só para falar, garante António, o "sopeiro". Mesmo se "no princípio as pessoas, nem imagina, iam a correr para a comida. Levavam aos seis bocados de pão, com medo que acabasse. E enchiam os pratos de tal modo que depois não comiam tudo, era um desperdício. Tivemos que explicar que podiam voltar a servir-se e que tinha de haver regras. Agora já sabem: levanta-se uma mesa de cada vez."
A ordem está bem interiorizada. Mal a dona da casa toca um sino, toda a gente se levanta, em silêncio. Já sabem o que se segue: uma oração, um ritual breve antes que seja dado o sinal de partida para os tabuleiros onde fumegam as cheirosas vitualhas. "Nada lhes é pedido, nem sequer imposto", responde Maria Cortez de Lobão à pergunta sobre este momento de proselitismo. "Não obrigamos nin- guém a rezar, mas nunca pusemos sequer a hipótese de isto não acontecer. É o que somos, a nossa identidade. O que nos move é o amor de Deus e Deus ama todos, não só aos seus. Não fazer isto era como chegar aqui e falar outra língua. E nunca ninguém protestou."
Há às vezes, claro, uma outra arruaça. Uma porta escancarada tem desses riscos. Hoje é um homem que entra, muito zangado. Quando lhe oferecem comida, recusa: "Eu não como, fico o dia sem comer!" Interpela António Serrano, 62 anos, um dos voluntários, que está sentado a jantar: "Ó senhor padre, desculpe lá, onde é que está a D. Teresa, que me prometeu dar dinheiro?" Serrano nega ser padre e diz que a D. Teresa não está. O homem berra: "Prometem mundos e fundos e não ajudam as pessoas." No meio da sala cheia, saciada, agora nas sobremesas (e nada para prender a atenção como os doces) a irrupção desenha sorrisos complacentes, perplexos.
Junto aos tabuleiros agora quase vazios, José Pinto, 51 anos, desempregado desde 1987, tira de um saco de plástico um recipiente. São nove e pouco, as portas estão quase a fechar e o costume é dar o que resta a quem quiser levar para casa. Ex-secretário de advogado, licenciado em Filosofia, mestre em Direito, 3º ano de económicas, José vive "das reservas". Vem às ceias sempre. "E tento levar alguma coisa. Como vê."
Há quem deixe qualquer coisa. Maria da Glória, 52 anos, e Jorge Neves, 72, ele "desenhador", ela "que toma conta de idosos" (e, explica ele num sorriso maroto, "Por isso está a tomar conta de mim, vamos casar"), não saem sem visitar o mealheiro. Já na rua, de braço dado e o passo ligeiro de quem passou um bom bocado, acedem às perguntas. "Moramos aqui mesmo ao pé, viemos pela primeira vez há três meses e sentimo-nos bem. Mais pelo convívio mas também pela comida, que é espectacular. Isto é para pessoas mais carenciadas, mas deixamos qualquer coisa. O que podemos." Hoje deixaram quatro euros, às vezes, garantem, deixam cinco.
No dia seguinte, as contas revelam uma noite em cheio: 93.10 euros. Ao telefone, a sempre enérgica Maria festeja: "Foi das melhores. Devem ter sido os miúdos, havia muitas notas de cinco. Tinham-lhes dito na escola que só davam se quisessem e, pelos vistos, deram." O preço de um bilhete de cinema. Talvez, como diz o louríssimo Faustino, de 12 anos, aluno do liceu Rainha D. Amélia que veio com o irmão Luís, de 10, do colégio de Santa Maria, "porque é tão difícil imaginar o que será não ter sempre uma refeição a horas." E os milagres, de pães, rosas ou euros, não são assim tão frequentes.
FERNANDA CÂNCIO , publicado no DN a 2010-12-12 às 01:00.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
terça-feira, 23 de novembro de 2010
A Amizade
«Mas quem é que caminha a teu lado?». Quando me reencontro com esta pergunta, trazida por um verso de T.S. Eliot, penso quase sempre nos amigos. Um amigo, por definição, é alguém que caminha a nosso lado, mesmo se separado por milhares de quilómetros ou por dezenas de anos. O longe e a distância são completamente relativizados pela prática da amizade. De igual maneira o silêncio e a palavra. Um amigo reúne estas condições que parecem paradoxais: ele é ao mesmo tempo a pessoa a quem podemos contar tudo e é aquela junto de quem podemos estar longamente em silêncio, sem sentir por isso qualquer constrangimento. Tenho amigos dos dois tipos. Com alguns, sei que a nossa amizade se cimenta na capacidade de fazer circular o relato da vida, a partilha das pequenas histórias, a nomeação verbal do lume mais íntimo que nos alumia. Com outros, percebo que a amizade é fundamentalmente uma grande disponibilidade para a escuta, como se aquilo que dizemos fosse sempre apenas a ponta visível de um maravilhoso mundo interior e escondido, que não serão as palavras a expressar.
O modo como uma grande amizade começa é misterioso. Podemos descrevê-lo como um movimento de empatia que se efetiva, um laço de afeição ou de estima que se estreita, mas não sabemos explicar como é que ele se desencadeia. Irrompe em silêncio a amizade. Na maior parte das vezes quando reconhecemos alguém como amigo, isso quer dizer que já nos ligava um património de amizade, que nos dias anteriores, nos meses anteriores, como escreveu Maurice Blanchot, «éramos amigos e não sabíamos».
Aquilo de que uma amizade vive também dá que pensar. É impressionante constatar como ela acende em nós gratas marcas tão profundas com uma desconcertante simplicidade de meios: um encontro dos olhares (mas que sentimos como uma saudação trocada entre as nossas almas), uma qualidade de escuta, o compartilhar mais breve ou demorado de uma mesa ou de uma conversa, um compromisso comum num projeto, uma qualquer ingénua alegria…A linguagem da amizade é discreta e ténue. E ao mesmo tempo é inesquecível e impressiva.
Há aquele ditado que diz: «viver sem amigos é morrer sem testemunhas». A diferença entre os conhecidos e os amigos é a mesma que distingue um ocasional espetador daquele que está habilitado a testemunhar. Este último disponibiliza-se realmente a ser presença. Se tivesse de resumir a sua natureza, apetecia-me dizer: um amigo é alguém que foi capaz de olhar, mesmo que por um segundo apenas, o fundo da nossa alma e transporta depois consigo esse segredo, da forma mais gratuita e inocente. E nós retribuímos o mesmo. Em dois ou três poemas de Adília Lopes sublinhei, há tempos, isso. No idioma da poesia de Adília, a amizade era descrita assim: «busquei o amor sem ironia». A amizade, mesmo quando nos fartamos de rir e de alegrar com os outros, é esse transparente amor.
Tenho por uma grande verdade aquilo que escreveu o filósofo Paul Ricoeur: «para ser amigo de si próprio é necessário ter já vivido uma relação de amizade com alguém».
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
PODEM TRAZER A ESTOLINHA!

Eglise de Kuokkala, Jyväskylä, Finlande. Credit Jussi Tiainen, AQUI
Imagem enviada pela nossa Irmãzinha Tecedora
da região autonoma do Estoril.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
domingo, 7 de novembro de 2010
Re_aprender a só ser...

Texto completo aqui
Ao ler este artigo, lembrei-me subitamente de um dialogo brilhante que ouvi há anos numa telenovela passada numa favela do Rio de Janeiro:
Criança -... o que é classe média?!
Marilia Pêra - ô queridinha... classe média... é... é pobre metido a Besta!





















