quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Nas Asas do Vento...



Nesta Quaresma "É bom sermos de novo pequenos e deixarmo-nos embalar nas asas do vento... É bom tentar aprender com uma semente que o tempo é a casa do nascimento e da morte, e que a memória é o principio para nos ligarmos a alguém... Aprender a ter paciência é passar o tempo a lutar por aquilo que se deseja, e que «procura», afinal não é um lugar é apenas um tempo dentro de nós, um tempo onde a morte se junta com a vida para fazer nascer uma flor e dizer sim ao dia nas curvas de uma canção."
João Maria André in "Morte e Nascimento de uma Flor: histórias de vida e estudo de campo."

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Priestesses of Longing


(...) quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que o teu jejum não seja conhecido dos homens. Mt 6,1-6.16-18

Um exercício renovado e "muito à frente" para adoptarmos durante esta Quaresma!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O jejum


Jejua de julgar os outros:
Descobre Cristo que vive neles

Jejua de palavras que ferem:
Enche-te de frases que animam

Jejua de descontentamento:
Enche-te de gratidão
Jejua de pressões e insistências
Enche-te de uma oração
incessante

Jejua de enervar-te:
Enche-te de paciência

Jejua de amargura e rancor:
Enche-te de perdão

Jejua de lamentar-te:
Enche-te de estima
pela maravilha que é a vida

Jejua de preocupações:
Enche-te de confiança em Deus

Jejua de dar importância a ti mesmo:
Enche-te de compaixão pelos outros

Jejua de desânimo:
Enche-te de entusiasmo na fé
Jejua de ânsia pelas tuas coisas:
Compromete-te na difusão do Reino

Jejua de pessimismo:
Enche-te de esperança cristã

Jejua de tudo o que te separa de Jesus:
Enche-te de tudo o que te aproxima dele
Jejuemos assim e chegaremos à páscoa com a loucura do Amor!...

sábado, 21 de fevereiro de 2009

CANONIZAÇÃO












A cerimónia de canonização do Beato Nuno de Santa Maria, D. Nuno Álvares Pereira, terá lugar no próximo dia 26 de Abril. O anúncio foi feito pela Santa Sé, no final do Consistório deste Sábado, presidido pelo Papa. O Consistório Público Ordinário representou o passo final do processo para a canonização do Santo Condestável. Juntamente com o novo santo português serão canonizados Arcangelo Tadini, Bernardo Tolomei, Gertrude (Caterina) Comensoli e Caterina Volpicelli.

“É um dom de Deus à Igreja portuguesa, que todos os portugueses devemos agradecer”, assegura.
O Beato Nuno de Santa Maria (1360-1431) foi beatificado em 1918 por Bento XV e nos últimos anos, a Ordem do Carmo (onde ingressou em 1422), em conjunto com o Patriarcado de Lisboa, decidiram retomar a defesa da causa da canonização. A sua memória litúrgica celebra-se, actualmente, no dia 6 de Novembro. O processo de canonização foi reaberto no dia 13 de Julho de 2003, nas ruínas do Convento do Carmo, em Lisboa. A cura milagrosa reconhecida pelo Vaticano foi relatada por Guilhermina de Jesus, uma sexagenária natural de Vila Franca de Xira, que sofreu lesões no olho esquerdo por ter sido atingida com salpicos de óleo a ferver quando estava a fritar peixe. A cura de Guilhermina de Jesus, depois de ter pedido a intervenção do Santo Condestável, foi observada por diversos médicos em Portugal e foi analisada por uma equipa de cinco médicos e teólogos em Roma, que a consideraram miraculosa. A história deste processo já poderia ter conhecido o seu epílogo quando, em 1947, o papa Pio XII se manifestou interessado em canonizar o Beato português por decreto. O estado de uma Europa destruída pela II Guerra Mundial fez, porém, com que a Igreja portuguesa recusasse este motivo de festa.
Trabalhos levados a cabo pelos Cardeais Patriarcas de Lisboa D. José III (1883-1907) e D. António I (1907-1929), secundados pela Ordem do Carmo, culminaram com o Decreto da Congregação dos Ritos “Clementissimus Deus” de 15 de Janeiro de 1918, ratificado e aprovado pelo Papa Bento XV em 23 do mesmo mês e ano. Esses trabalhos, retomados pelo Episcopado Português, culminaram com a já referida permissão de Pio XII para que o processo da canonização prosseguisse.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Dio Mio! Che Casino!!


GAFES... às Terças!... deixaram de ser um exclusivo nosso!

Mas porque razão não os obrigam a casar?



Sobre esta bandeira política do casamento entre pessoas do mesmo sexo, reintroduzida agora pelo nosso Primeiro-Ministro para a próxima legislatura, já não se aguenta!

Nem se entende o porquê de tanta polémica.Que se casem.Mas porque não? Assiste-lhes o direito de se ajudarem mutuamente, de prestar assistência na doença e na velhice, de terem a quem deixar o seu património.É que, estar a ouvir aquela jornalista Fernanda Câncio, aos berros, tipo histérica, a defender esta causa ( com a mesma vozinha estridente com que defenderá qualquer outra) é uma vergonha para os próprios homossexuais.E o PM prossegue o seu objectivo: enquanto uns e outros berram cada um para seu lado, o povo anda todo distraído e não se fala de coisas mais sérias.

Deixem lá estes tipos casar.


Obriguem-nos mesmo e nunca mais se ouve falar disto!

Diz-me Senhor…



Porque é que cada vez que vou ao cinema agora, tenho que apanhar com meia hora de publicidade com miúdos andrajosos a falarem sobre "a primeira vez", a banharem – se em rios de cerveja e meninas com um ar ordinaríssimo a tirarem soutiens a toda a hora???!! Isto é símbolo de irreverência ou de pobreza mental dos nossos criativos??!!!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

P´LA MÃE!!

MÃEDATERESA!
MULHER DE DEUS!!!
ROGAMOS ...

QUE VOLTES A SER SORELLA

Na Dúvida fomos ver...



No fim não nos entendíamos com as nossas próprias dúvidas...
Number Ten, no seu melhor estilo, quis saber quais eram as dúvidas da fila de trás...
Lançámos a confusão no cinema...
Saímos sem certezas nenhumas!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Terá chegado a paz ao Médio Oriente??????


Nenhum dos dois maiores partidos israelitas tem maioria para formar governo.Já era de esperar, e é quase um clássico naquelas bandas.O Kadima de Tzipi Livni ganhou ao Likud de B.Netanyahu por um deputado.Isto acarreta um inconveniente, a meu ver: negociar com o líder da extrema direita , Lieberman e/ou com o partido ultra-ortodoxo Shas.Várias questões se levantam, mas esta parece-me preocupante: Lieberman, líder do partido Yisrael Beiteinu, afirmou que não teria negociações directas com os palestinianos nem um cessar-fogo.: «Não importa que tipo de governo será formado; se estivermos nele, a derrota do Hamas será o principal objectivo».

Isto era previsível. Que DEUS os ajude a todos a ver mais longe!

Hoje Vou...



...à festa de anos do Darwin!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

"A Palavra Ensina-nos a Rir"



Ontem finalmente, conseguimos perceber como Paulo conseguia estar nos antípodas do espirito... uns dias mais para Madona, outros dias mais para beijo de Freira!

Foi um alegre sermão!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

"O Comandante"



Sabemos sobre ele o essencial: é reformado da Armada Portuguesa, vizinho, visita as nossas exposições, almoça connosco à mesa, conta-nos histórias... ajuda, às escondidas da mulher, tudo o que é mendigo nas redondezas do Convento, compra-lhes flores, livros e brinquedos que depois distribui a quem passa e faz felizes as crianças que saem da escola ao fim da tarde. Não é raro, oferecer-nos fruta quando vem de aviar os recados lá de casa na mercearia... Hoje, ao fim de três anos, voltei a cruzar-me com "O Comandante". Estendeu-me uma laranja e uma pêra e com os olhos azuis a sorrir disse-me:

-Leva filha é para o lanche!

Dei-lhe um beijinho e acrescentou para o Amigo que ia ao meu lado:

-Cuidem bem desta menina! Eu já tinha saudades!

Eu também tinha saudades destes momentos na Aldeia!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Da Paciência...



“Com tempo e paciência, a folha da amoreira
pode transformar-se num belo vestido de seda”.
Provérbio Chinês

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Valorizar a Arte!!!!

Ilda David, Hebreus

D. Carlos Azevedo, Bispo Auxiliar de Lisboa disse, no passado dia 30 de Janeiro, uma frase deveras interessante:«Só uma Igreja sem estratégia pastoral, como a portuguesa, é que não valoriza a arte». D. Carlos, que participava numa tertúlia em Fátima, falava sobre «Património artístico e cultural da Igreja» tendo afirmado que «já é tempo da Igreja se preocupar mais com o património. O património pode e deve ser usado, aconselhou, para a catequese e para evangelização». Não deixará de ter razão nalgumas coisas .Não conheço, de maneira nenhuma, como vai o processo de inventariação de bens, de digitalização de património, em geral. Avançado em Lisboa, Porto... Muita coisa haverá por certo a fazer, mas têm vindo a ser feitas coisas excepcionais. A Diocese de Beja, por exemplo, foi premiada pela Fundação Calouste Gulbenkian pela sua defesa do património religioso da região, sobretudo através da recuperação das igrejas históricas. O trabalho que desenvolve de há anos para cá, não precisa de apresentações.
Outro exemplo a destacar, a exposição de pintura de Ilda David, intitulada uma «Teologia virtual» que a Arquidiocese de Braga inaugurou em Janeiro passado: esta magnífica mostra enquadra-se perfeitamente no conjunto de iniciativas levadas a cabo pelas instituições arquidiocesanas, entre os quais os Encontros Paulinos, promovendo a dinamização e a interacção entre cultura e comunidades religiosas, naquela região do Norte do país.
Igualmente em Janeiro passado teve lugar no seminário de Vilar, um seminário de apresentação do projecto de inventariação, catalogação e dinamização dos Bens Culturais da Diocese do Porto, com vários painéis sobre o património. E muitos outros eventos relevantes tiveram lugar: no âmbito do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios cujo tema para 2008 foi «Património religioso e Espaços Sagrados», promovidos igualmente pela Diocese do Porto. Já vai longo o post…Parece-me que nunca como hoje em dia houve tanta promoção de iniciativas relacionadas com o património religioso. Muito haverá a fazer, certamente. Mas não admira que o Presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, D.Manuel Clemente, recuse «a ideia de uma ausência de uma política para o património». D.Manuel adianta que «a preocupação é a inventariação geral do património, que se está a efectuar em várias dioceses». Exemplo disso é – salienta o prelado do Porto - um ciclo de eventos sobre a identidade de Portugal, que vai decorrer nos próximos três anos.»
Mãos à obra, D. Carlos Azevedo. Sendo vogal da Comissão Episcopal da Cultura também pode dar umas ideias. Todos agradecem!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Luz Silenciosa


(No dia em que volto ao "Sitio da Cotovia" e ponho em marcha o
que tinha ficado suspenso durante três anos!! Até o velhinho computador funcionou!!)

(…) Todas as coisas esperam a luz,
Sem dizerem que a esperam.
Sem saberem que existe.
Todas as coisas esperarão por ti,
Sem te falarem.
Sem lhes falares.
Sê o que renuncia
Altamente:
Sem tristeza da tua renúncia!
Sem orgulho da tua renúncia!
Abre as tuas mãos sobre o infinito.
E não deixes ficar de ti
Nem esse último gesto!
O que tu viste amargo,
Doloroso,
Difícil,
O que tu viste inútil
Foi o que viram os teus olhos
Humanos,
Esquecidos...
Enganados...
No momento da tua renúncia
Estende sobre a vida
Os teus olhos
E tu verás o que vias:
Mas tu verás melhor...
... E tudo que era efémero
se desfez.
E ficaste só tu, que é eterno.

Cecília Meireles in “Tu Tens um Medo”

sábado, 31 de janeiro de 2009

O Que Interessa é Achar o Fio da Meada!


No vuelvo mas - Ximena Sarinana

Há aventuras que acabam num novelo...mas o que interessa é não desistir e ter capacidade de achar o fio da meada! E a vida segue!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Brutal!


quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

GARSE


Que Maravilha!!!
Na Câmara Municipal de Loures existe o
Gabinete de Assuntos Religiosos Sociais Específicos...
Este - ESPECÍFICOS - intriga-me!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Bom, Bom é Ensinar a Pescar…


"E andando junto ao mar de Galileia, viu a Simão e a André seu irmão, que lançavam a rede ao mar (porque eram pescadores).
E disse-lhes Jesus: Vinde após mim, e farei que sejais pescadores de homens.
E deixando logo suas redes, o seguiram.
E passando dali um pouco mais adiante, viu Tiago [filho] de Zebedeu, e a João seu irmão, que [estavam] no barco consertando suas redes.
E logo os chamou; E eles deixando a seu pai Zebedeu no barco com os jornaleiros, foram após ele."
(Evangelho segundo S. Marcos, 1, 16-20 )

Desde ontem que ando para aqui com dúvidas existenciais sobre o que é ser pescador de homens, assolam-me perguntas pelos poros e ando para aqui num frisson!
Que redes seriam estas dos primeiros apóstolos? Seriam aparelhos flexíveis? Seriam armadilhas de estruturas rígidas? Teriam alguma coisa a ver com artes de pesca semelhantes a gaiolas?... Os apóstolos teriam na altura alguma preocupação com a preservação e manutenção das espécies? Tudo o que vinha à rede era peixe? Preocupavam-se mais com a qualidade ou com a quantidade da pescaria? Como reagiriam hoje face à legislação rigorosa acerca do uso de redes que dita que não se deve usar redes com tamanho suficiente para capturar os peixes juvenis, pois isso impede as espécies de se reproduzirem, o que pode levar à sua extinção?

Ser pescador é tramado!!
De uma coisa não tenho dúvida…bom, bom é ensinar a pescar!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Liturgia do Futuro (?)



Hoje apetecia mesmo ir jantar a Paris da França!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Chamar a Si Todo o Céu com um Sorriso



que o (teu) coração esteja sempre aberto às pequenas
aves que são os segredos da vida
o que quer que cantem é melhor do que conhecer
e se os homens não as ouvem estão velhos

que o (teu) pensamento caminhe pelo faminto
e destemido e sedento e servil
e mesmo que seja domingo que (tu te enganes)
pois sempre que os homens têm razão não são jovens

e que (tu) não faça(s) nada de útil
e ame(s) muito mais do que verdadeiramente
nunca houve ninguém tão louco que não conseguisse
chamar a si todo o céu com um sorriso

E. E. Cummings
(tradução e adaptação selvagem para o Pequeno Rei Afonso!!)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Processo de Integração e Libertação pela Palavra



A partir de agora sempre que me virem escrever em letra grande
é porque «ESTÁ A DAR-ME UMA “PAULINA”!» …
quando a coisa estiver grave,
em letra de qualquer tamanho,
«corro tudo à “Paulada”!».

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

As borboletas da Esperança


Querido Salvador

Ontem recebemos um email a dizer-nos que estavas doente.Foi-nos pedido para rezar.Foi o que fizemos.Rezámos enquanto fazíamos estas lindas borboletas azuis que são o sinal da nossa oração e da nossa esperança na tua recuperação.Em tempos, vimos um filme lindo, em que um menino doente tinha um sonho, o de encontrar uma borboleta azul, símbolo de ser livre, de uma vida sem limites, de ultrapassar barreiras .
Força, Grande Salvador.
Aqui ficam seis borboletas que são tuas!

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Waiting For The Hour...



Quase 150 anos depois continuamos à Espera...
Temas diferentes, a mesma essência... não vamos desistir!


segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

......Vamos n' A ONDA?????


Fui ver a «A Onda» ( Die Welle), filme alemão passado numa escola secundária, na Alemanha.Não vou relatar o filme.Só transmitir as sensações que colhi, as impressões que tive.Confesso que me atrai sair do cinema americano e enveredar pelo europeu...e o tema é interessante.Vêem-me duas ideias de imediato interligadas, à cabeça: a facilidade com que os míudos se integram e aderem à «Onda» e o factos de os pais dos principais protagonistas os considerarem como praticamente invisíveis.Os míudos integram-se porque a grande maioria não tem objectivos de vida, vivem numa sociedade que tem pouco para oferecer.Nota-se, em termos gerais, que não conseguem vislumbrar futuros brilhantes, que vivem num mundo com poucas regras e disciplina, numa grande ausência de desafios construtivos.Não me parece necessário que o filme tivesse profundidade política: a meu ver, mostra muito bem como um mero exercício retórico pode preencher uma geração alemã ( com o fantasma hitleriano),que se auto-educa, cada um à sua maneira.
A escolha do nome da disciplina que resolvem frequentar não foi feita pelo facto de se intitular «Autocracia», mas porque o professor de «Anarquia», a outra opção, era «uma seca».
Quando começam as aulas, os míudos nem sabem o que é a autocracia e o exercício levado a cabo pelo professor, embora se tenha descontrolado, e essa é uma das partes negativas da história, mostra como uma dezena de alunos amorfos e inertes, podem ser estimulados positivamente, no sentido de termos gerações mais felizes consigo próprias. Este filme, como «A Turma» de Laurent Cantet, são bons filmes. Eu gostei.
Haja esperança!

As Mãos


Sia - Soon We'll Be Found
Enviado por Sia

Que tristeza tão inútil essas mãos
que nem sempre são flores
que se dêem:
abertas são apenas abandono,
fechadas são pálpebras imensas
carregadas de sono.

Eugénio de Andrade


sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Museu Com Alturas de Incenso…


Desenhos com "Aromas de urze e de lama" de Ruth Rosengarten,
no Museu Nacional de Etnologia, a não perder este fim de semana!

Nova dinastia procura-se!


Alegrem-se os democratas em geral: chegou finalmente a Democracia à Coreia do Norte.
O novo homem forte chama-se Kim Jong-un, tem apenas 25 de idade, facto altamente inovador para aquela região do mundo e, pasme-se, é o filho mais novo de Kim-Jong-il.
Estão todos de parabéns.Especialmente o pobre povo norte-coreano, que continua a viver num dos países mais fechados do mundo!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Amigos sozinhos!


Soube há pouco da solidão em que vive um grande amigo.Um grande amigo que não conheço.Um grande companheiro, que me conforta, me faz pensar, me faz rir, me ajuda no caminho do dia-a-dia.
Soube que se sente só. Não pode ser. A solidão é realmente um dos grandes males dos nossos tempos...é tão triste...Temos que nos ajudar uns aos outros.E existirmos para os outros.Estarmos presentes, de formas pequeninas, subtis.Quase imperceptíveis.Mas ultrapassarmos barreiras, medos. Não termos receio de dar o passo...A solidão é um assunto que me toca muito profundamente.Especialmente a dos nossos velhotes e desamparados...mas também a das pessoas que, rodeadas de muita gente, estão verdadeiramente sós.Até porque para ajudar quem está só, é também preciso enfrentar algumas verdades...e isso nem sempre é fácil....Temos que estar presentes na vida dos outros.Custe o que nos custar!

E afinal existe uma Santa Nina!!!!!! Que ignorância!



L’Evangile au Quotidien
14 janvier

Sainte Nina (IVème siècle)Jeune chrétienne emmenée en captivité en Géorgie (Russie) vers 337, elle commença la conversion du pays.Les Eglises d'Orient la fête aujourd'hui. L'Eglise en Occident en fait mémoire aujourd'hui également et la célèbre le 15 décembre. Nous connaissons sa vie par l'écrivain ecclésiastique Rufin qui donna quelques détails sur la conversion de l'Ibérie, région intérieure de l'actuelle Géorgie. Une jeune captive chrétienne, dont on ignore le pays d'origine, devenue esclave à la cour royale de Mzkhéta, non loin de Tbilissi, garde toute sa foi auprès du roi Mirian. Plus que sa grande beauté, c'est son inlassable charité qui la fait aimer et respecter. Ayant obtenu par ses prières la guérison d'un enfant, elle est appelée auprès de la reine Nana qui se meurt. Elle lui rend la santé. Quand le roi veut la récompenser, elle lui dit préférer sa conversion. Le roi en laisse d'abord le soin à sa femme. A quelque temps de là, il demandera à l'archevêque de Constantinople de lui envoyer un évêque pour évangéliser le royaume. Saint Nino se retire dans la région de Bobdé où, dès le 4ème siècle, fut construite une cathédrale. A Mzekhéta un petit oratoire rappelle aujourd'hui encore ce baptême de la Géorgie

O CRITÃO DO FIM DO MUNDO



Chegaram em bando logo pela manhã. De comboio até Lisboa a viagem foi uma animação. Moram todos no Bairro do Fim do Mundo, têm entre os 8 e os 9 anos e estão ali à minha frente cheios de sede de ver, de saber, de conhecer, de estar, de, de, de… Sento-me com eles no chão, apresento-me dizendo-lhes logo em seguida que só começamos a visita depois de eu ouvir o nome de cada um. Explico-lhes que acho importante ser chamado pelo nome e que não podemos viver sem uma família, sem pertencermos a um grupo, sem ter uma identidade, … seríamos muito mais tristes! Um a um vão dizendo os nomes: Rita, Cátia, Marisa, Osana, Joaquim, Ruben, Kalina, Ronaldo, João e… hesitação … MANEL!!!! Gritam todos em coro.

_ Sim sou Manel mas podes chamar-me Cristão!

- Mas porquê Cristão?! Pergunto admirada.

_ Porque (encolhe os ombros) … é o nome da minha família somos “boé da fixesss”!

Não consegui dizer uma palavra! Pisquei-lhe o olho, fiz-lhe um ok com a mão, olhei para o miúdo do lado e continuei a ouvir: Rui, Janson, Mariana, Rita, Carla…

domingo, 11 de janeiro de 2009

Em Estado de Choque

O fim-de-semana prometia ser “do Além”, céu azul, sol, a terrinha a ver o rio lá em baixo em calmaria… saio logo pela manha, cheia de energia, para ir buscar pão fresco e o jornal… Na volta deparo-me com um cartaz enorme – IGREJA PAROQUIAL XPTO…????!!! Pensei: - olha que ideia tão gira! Tu queres lá ver que a paróquia fez um concurso de maquetas com a pastelaria xóxóxó e com as crianças do bairro para a construção da nova igreja??! Depois do pequeno-almoço resolvi investigar que projecto seria aquele da paróquia da terrinha…

FIQUEI E AINDA ESTOU EM ESTADO DE CHOQUE PORQUE DESCOBRI QUE NÃO É FEITO PELA PASTELARIA XÓXÓXÓ, NEM PELAS CRIANÇAS E QUE VAI MESMO SER CONSTRUIDO, TAL E QUAL COMO SE APRESENTA NA IMAGEM QUE É ABSOLUTAMENTE IMPRÓPRIA PARA CARDÍACOS!


sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Na Nossa Agenda!


Clicar para aumentar a imagem.

UM FRIO DE RACHAR



"Por vezes as coisas deste mundo excedem-se a si próprias.
Conseguem ser tão exageradas que ultrapassam as nossas capacidades de expressão. Conseguem ser tão, tão, tão… que não temos outro remédio senão exagerar.
Exageramos porque aumentamos. Exageramos porque diminuímos. Exageramos porque comparamos de modo pouco razoável. Exageramos para que nos percebam, para que vejam o que vemos, para nos fazermos entender."

In "O MUNDO É QUE EXAGERA", uma SENHORA agenda dos nossos AMIGOS do Planeta Tangerina.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Logo pela Manhã... A Bênção do Doce Pai!


Novo Núncio Apostólico em Portugal,
S.E.R. Monsenhor Rino Passigato.

Foi uma alegria esta manhã aqui no Convento,
comigo e com a Superiora Mafalda a ouvir de cinco
em cinco minutos:

Roma immortale di Martiri e di Santi,
Roma immortale accogli i nostri canti:
Gloria nei cieli a Dio nostro Signore,
Pace ai Fedeli, di Cristo nell'amore.
A Te veniamo, Angelico Pastore,
In Te vediamo il mite Redentore,
Erede Santo di vera e santa Fede;
Conforto e vanto a chi combate e crede,
Non prevarranno la forza ed il terrore,
Ma regneranno la Verità, l'Amore.
(Hino do Vaticano)

Salve Salve Roma, patria eterna di memorie,
Cantano le tue glorie mille palme e mille altari.
Roma degli apostoli, Madre guida dei Rendenti,
Roma luce delle genti, il mondo spera in te!
(Marcha Pontificial)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

"Velar" Pela Confissão



Hoje na Calçada do Combro encontrei um Amigo com quem não estava faz tempo!
Depois de ter matado saudades perguntou-me:
- Onde é que vais?
_ Vou ao Loreto, anda daí!
Continuámos os dois contentes a subir a Calçada e a meio...

- Vais confessar-te!!?
_ Não!! Que ideia! Vou pôr copos de vela a encher! Fiquei sem velas depois do Natal!

Seguimos os dois a rir até entrar na Casa das Velas…


terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Valha-nos Nossa Senhora da Romã!



Manda a tradição que se coma a bela da Romã no Dia de Reis e que se guarde a coroa da dita com as sementinhas lá dentro durante o ano, para que este seja um ano abençoado!

Nos últimos dias corri meia Lisboa à procura da preciosa frutinha mas não havia uma que tivesse Coroa! Tudo partido! Uma verdadeira desgraça!

Hoje, já em desespero, a 20 Km da capital descobri duas perfeitas no fundo de um caixote! Fiquei tão contente que comprei as duas, uma para mim e outra para oferecer ao primeiro Amigo que me aparecesse à frente!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

O Túnel do Rei Magro


Comecei o dia a falar do desafio, da coragem e da entrega em seguir as estrelas…
Acabei a tarde a ouvir falar de "Luz ao fundo do Túnel"…
Lembrei-me com saudade deste por onde passei meses e meses a fio, todos os dias sem saber o que iria descobrir mas sempre curiosa com a surpresa à saída.

"(...)A estrela ergueu-se muito devagar sobre o Céu, a Oriente. O seu movimento era quase imperceptível. Parecia estar muito perto da terra. Deslizava em silêncio, sem que nem uma folha se agitasse. Vinha desde sempre.

Mostrava a alegria, a alegria una, sem falha, o vestido sem costura da alegria, a substância imortal da alegria.

E Baltasar reconheceu-a logo, porque ela não podia ser de outra maneira."

(Sophia de Mello Breyner in "Os Três Reis do Oriente")

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Assim seja!


"…ou nos matamos uns aos outros ou partilhamos o que há a partilhar".
(Barenboim, Ramallah 2005)


Um Clássico de Ano Novo!O concerto de Viena marca sempre o primeiro dia de Janeiro. Este ano dirigido por Daniel Barenboim, o homem que em 2005 conseguiu juntar em Ramallah músicos de todo o mundo e uma orquestra maravilhosa de Palestinianos e Israelitas a tocarem em conjunto!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

"…e Paz na terra aos homens…"


“Il Cielo Già Comincia ad un Millimetro da Terra…”
Tonino Milite

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).

Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de Janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

(Carlos Drummond de Andrade in "Receita de Ano Novo")

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

A Graça... da Srª do Monte


"...o meu arco tenho posto nas nuvens;
este será por sinal da aliança entre mim e a terra..." (Gn 9,13).

Um presente de aniversário do “arco-da-velha”! O melhor que alguma vez já tive e o melhor momento deste Ano! Entre amigos, no jardim de São Pedro de Alcântara, com o céu a ameaçar desabar em cima nas nossas cabeças, num dia de aniversário quase a derrocar… alguém se lembrou de soprar as nuvens e o mau tempo! Parecia-mos loucos varridos de bochechas em riste a bafejar o infinito entre o olhar atónito de quem passava… e porque a força de quem Acredita, existe mesmo… aqui está o arco-íris que nos foi oferecido e que só nos deixou quando a noite caiu!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

All You Need Is Love



Amar uma pedra, um cão, uma osga, uma barata.
Amar uma pessoa que não gosta de nós.
Amar uma pessoa de quem não gostamos.
O amor é mais difícil que a mecânica quântica.
Fernando Pessoa, num poema em que caridade rima com electricidade, diz que não tem caridade.

Às vezes, aquilo a que chamamos amor não é amor:
- é exigir amor em troca
- é dar para que dês

Amar alguém é confiar nessa pessoa, não estar de pé atrás,
acreditar nessa pessoa. Gostamos pouco uns dos outros, disse Tonino Guerra.
Querer amar e ser amado, dizia Jorge Luis Borges, é muito ambicioso, não é humilde.
Acho que devemos pedir só para amar.
È fácil amar quando a vida nos corre bem.
Quando a vida nos corre mal, insultamos o mundo e, às vezes, insultamos Deus. Acreditar então nas coisas mais queridas, mais pequeninas:
- as medalhinhas do nosso Baptismo, que entretanto foram roubadas, se perderam.
- a imagem de Nossa Senhora de Fátima comprada na loja dos 300.
- dois versos de uma oração de que esquecemos o resto.

Às vezes, a vida corre-nos muito bem e esquecemo-nos da compaixão. A compaixão é o amor. Só a compaixão salva. Só a compaixão é eterna.
O sofrimento nem sempre se vê. E o sucesso, como o desespero, pode cegar.

Às vezes, temos grandes amigos e não sabemos. A padeira do nosso bairro, o vizinho do nosso prédio. Anos e anos a dizer: “Bom dia! Boa-tarde!”, mais nada, e essas palavras bastam.

O amor nem precisa de palavras. Mas as palavras sabem bem.

Adília Lopes
(poema inédito declamado nas Oficinas de Leitura “Ler e entender S. Paulo”, sobre a primeira Carta aos Coríntios. Igreja de Santa Isabel – Novembro 2008)

domingo, 28 de dezembro de 2008

Alegrias de um Doce Natal



[Oratoria de Natal, Bach por J.E.Gardiner, o 2º Tenor da 1ªfila é o Nicolas Robertson!! um rouxinol que vive discretamente entre nós ali para os lados de Oeiras ;-)]

Ouvir a porta tocar e ter as crianças dos vizinhos a trazer-nos bolos para o pequeno almoço, receber telefonemas de Amigos que estão do outro lado do mundo a dizer que acabaram de se lembrar de nós, ter a casa a tresandar a benjoim e a canela, olhar para o presépio e pensar...
&%"#*?#&% FAZES-NOS MESMO FELIZES!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

A Espuma do (Bom) Tempo... de Natal



“(…) Um marinheiro me contou
Que a boa brisa lhe soprou
Que vem aí bom tempo
Um pescador me confirmou
Que um passarinho lhe cantou
Que vem aí bom tempo
Ando cansado da lida
Preocupada, corrida, surrada, batida
Dos dias meus
Mas uma vez na vida
Eu vou viver a vida
Que eu pedi a Deus.”

Chico Buarque in "Bom Tempo"

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Adormecido no Jardim do Eden


Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se ao longe.
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas...
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães,
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em rancho pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou -
«Se é que ele as criou, do que duvido» -.
«Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres».
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.
..................................................................
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava,
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.
A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.
A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.
Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos os muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos
Vira uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
........................................................
Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
.........................................................
Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?
(Alberto Caeiro)

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Conversas Entre Perdizes



Entrou no atelier todo branco e abobadado que estava coberto de telas cheias de vida. Depois de ter observado tudo perguntou:
- para onde é que tu queres ir com tanta ave pintada?!
- para o mesmo sitio que tu…respondeu.
Riram alto durante um bom bocado e depois continuaram em silêncio a observar os pássaros.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Começaram as Grandes Noites Redondas


Eu caminhei na noite
Entre silêncio e frio
Só uma estrela secreta me guiava
Grandes perigos na noite me apareceram
Da minha estrela julguei que eu a julgara
Verdadeira sendo ela só reflexo
De uma cidade a néon enfeitada
A minha solidão me pareceu coroa
Sinal de perfeição em minha fronte
Mas vi quando no vento me humilhava
Que a coroa que eu levava era de um ferro
Tão pesado que toda me dobrava
Do frio das montanhas eu pensei
"Minha pureza me cerca e me rodeia"
Porém meu pensamento apodreceu
E a pureza das coisas cintilava
E eu vi que a limpidez não era eu
E a fraqueza da carne e a miragem do espírito
Em monstruosa voz se transformaram
Disse às pedras do monte que falassem
Mas elas como pedras se calaram
Sozinha me vi delirante e perdida
E uma estrela serena me espantava
E eu caminhei na noite minha sombra
De desmedidos gestos me cercava
Silêncio e medo
Nos confins desolados caminhavam
Então eu vi chegar ao meu encontro
Aqueles que uma estrela iluminava
E assim eles disseram: "Vem connosco
Se também vens seguindo aquela estrela"
Então soube que a estrela que eu seguia
Era real e não imaginada
Grandes noites redondas nos cercaram
Grandes brumas miragens nos mostraram
Grandes silêncios de ecos vagabundos
Em direcções distantes nos chamaram
E a sombra dos três homens sobre a terra
Ao lado dos meus passos caminhava
E eu espantada vi que aquela estrela
Para a cidade dos homens nos guiava
E a estrela do céu parou em cima
de uma rua sem cor e sem beleza
Onde a luz tinha a cor que tem a cinza
Longe do verde azul da natureza
Ali não vi as coisas que eu amava
Nem o brilho do sol nem o da água
Ao lado do hospital e da prisão
Entre o agiota e o templo profanado
Onde a rua é mais triste e mais sozinha
E onde tudo parece abandonado
Um lugar pela estrela foi marcado
Nesse lugar pensei: “Quanto deserto
Atravessei para encontrar aquilo
Que morava entre os homens e tão perto”

(Sophia de Mello Breyner Andresen in A Estrela)