É tão bom caminhar à noite junto ao mar,
o cheiro a iodo a rebentar-nos os pulmões...
e a encher-nos de alegria para ir levando este barco!
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Devoção de um bem querer...
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
A BOLINHA CASTANHA

Saí de casa, era uma manhã fria, sem Sol, em que as árvores pareciam mãos enormes buscando a Primavera no céu sem cor…e a chuva caía…caía…
Comecei a andar, abri o guarda-chuva, a rua parecia-me imensa, toda branca, beijada pela chuva. Os pardais voavam nas árvores talvez lobrigando nelas flores, Sol. Senti que era Inverno.
Virei a esquina e ali no chão estava uma bolinha castanha que já não chamaria mais a Primavera… Fiquei parada, contemplando o passarito, como se ele fosse um sinal vermelho que me impedisse de avançar.
Olhei, olhei mais, vi uns olhos abertos, uns olhos sem vida e aquelas penas castanhas…não mais enfrentariam o vento…
Não podia fazer nada. Andei. No ar voavam mais pardais e aquele ali, jamais voaria. Andei. Ouvi a mulher das flores a apregoar e a carroça das hortaliças que chiava longínqua.
Na calçada soaram enfim os meus passos, caminhando sozinhos com a chuva…
Olhei para o céu, brilhava nele o Sol, a chuva tinha parado e o arco-íris era uma cavalgada imensa para o infinito…
Pardal… nascia a manhã dos pregões, das conversas, nasciam nos ninhos mais pardais e aquele sozinho, perdido na multidão das pedras brancas, jamais esperaria o Sol, as flores, o arco-íris, estava morto, enfim.
Adília Lopes, 1971
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Um Amigo… Cheio de Luz!

"Orei e foi-me dada a prudência; implorei e veio a mim o espírito de sabedoria. Preferi-a aos ceptros e aos tronos e, em sua comparação, considerei a riqueza como nada. Não a equiparei à pedra mais preciosa, pois todo o ouro, à vista dela, não passa de um pouco de areia e, comparada com ela, a prata é considerada como lodo. Amei-a mais do que a saúde e a beleza e decidi tê-la como luz, porque o seu brilho jamais se extingue. Com ela me vieram todos os bens e, pelas suas mãos, riquezas inumeráveis."
(Sab. 7, 7-11)
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Dancing Cheek to Cheek
Se o Saramago fosse mais novo e se eu não fosse Superiora, convidava-o para dançar! É sempre uma excelente terapia para os amargos de boca!
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
«A Bíblia é uma espécie de gramática do Humor de Deus*

Saberá Saramago o que diz?Se sim, perdoamo-lo.Se não, perdoamo-lo igualmente.E rimo-nos.Só podemos rir. E revelar uma enorme tristeza.Portugal tem este Nobel da Literatura? É pouco, que vazio, coitado.Deixa-se influenciar ideologicamente ao nível de vir dizer meia dúzia de frases com o objectivo de ofender? Porquê este amargo com a vida? Não merece outra resposta a não ser esta que nos dá o Salmo 2:«O que habita nos Céus, sorri».
*Tolentino de Mendonça
*Tolentino de Mendonça
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Interiores

Este post tem uma razão de ser muito forte.Tive uns dias fora de Lisboa, em trabalho.Ontem,de manhã, fui à missa na cidade onde me encontrava, Cracóvia.À Igreja de Santa Maria, na Praça Central. Sem me ter apercebido, entrei a meio da missa das onze.Assisti até ao fim, e de repente, quando pensei sentar-me a rezar e comtemplar a beleza daquele templo, começou a missa do meio-dia.Assisti até ao fim.Fui acompanhando como pude.E fui pensando, ao ver aquela igreja repleta de pessoas de todas as idades.O orgão a tocar. A beleza do espaço. Esmagador.Absolutamente indízível. A emoção foi tão forte que chorei, chorei de alegria, por me ter sido proporcionado estar ali.Sim.Não achei que estava ali por acaso. Saí com a alma completamente nova. E Deus sabe que eu estava a precisar.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
domingo, 4 de outubro de 2009
O Sonho de José…

Rembrandt, 1645 Staaliche Museen Preussischer Kulturbesitz, Gemäldegalerie, Berlim.
José Dias Heitor Patrão, contava-nos histórias como ninguém! Era um Homem brilhante, de coração grande que nos ensinava a ousar e a não desistir! Foi um privilégio partilhar a sua amizade. Criámos grande cumplicidade sentados à soleira da porta do grande Seminário de Portalegre. Por entre conversas sobre Walter Benjamin, ervas aromáticas que coleccionava, postais que eram uma paixão e notícias fresquinhas dos jornais do dia, projectamos a execução de um dos seus sonhos – a recuperação de parte de uma colecção de que era guardião e uma exposição de presépios tradicionais Portugueses. Tinha 80 anos, mas era detentor de uma juventude, de uma graça e de um “rasgo” que infelizmente não reconheço, hoje, em Padres da minha idade. Por entre um currículo cheio, traçado entre a Teologia, Arte e a Ecologia Humana, foi consultor do projecto da Igreja de Santo António em Portalegre (desenhada por Carrilho da Graça) da qual muito se orgulhava, e ultimamente andava animado com a criação de um espaço onde, finalmente, pudesse expor a maravilhosa colecção de arte sacra da diocese.
Partiu hoje enquanto sonhava…vamos ter muitas saudades!
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