quarta-feira, 6 de julho de 2011

O fim da comédia cultural?

A grande ministra da cultura que foi Gabriela Canavilhas (GC), neste momento deputada do PS, informa-nos agora que o seu partido «precisa de um líder que assegure a ligação ao cidadão comum, que lidere uma oposição firme e livre, em respeito pela herança histórica do PS e pelo legado de grande dignidade que nos deixou (o anterior líder dos socialistas), José Sócrates». Quando li este excerto da entrevista que GC deu à Lusa pensei que tinha lido mal. Reli e voltei a reler….Não. Era verdade! Ela dizia mesmo aquilo. Delírio das multidões. Lá vão os stand-up comedies ter mais material para nos fazer rir. Sentarem-se num divã, pintarem as bocas com um batôn super vermelho e desatarem a dizer asneiras e a imitar a GC a bambolear-se pelos eventos culturais. Não era preciso tanto. Dizer estas pequenas barbaridades…Um líder que assegure a ligação ao cidadão comum??? Qual ligação? Deus nos livre. Herança histórica do PS? Mas a senhora perdeu a cabeça. Qual herança? A dos pais de cada um? Só pode ser isso e isso é do foro privado. Legado de grande dignidade que nos deixou o Sr. Pinto de Sousa? Mas alguém à face deste país, com alguma dignidade, vem defender o Sr. Sousa e dizer isto? Nem mesmo os candidatos a Secretário-geral do PS, que aliás a deputada Canavilhas consegue apoiar, simultaneamente, de uma forma magistral, falam de uma forma tão eloquente do futuro filósofo Sócrates. Que triste não ter nada que fazer! Pobre Parlamento.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

AMOR E BONDADE

José Mattoso: Sabedoria e Fraternidade from Pastoral da Cultura on Vimeo.

40 anos de carreira, 67 de vida. Joaquim Benite criou uma companhia e um dos maiores festivais de teatro!

Em entrevista ao jornal «ionline», «-Gosta do secretário de estado da cultura, Francisco José Viegas?Pelo menos é uma pessoa interessada e culta e a Canavilhas, para mim, era uma terrorista, o ministério da cultura do Sócrates é uma espécie de invasão dos Hunos.
Porquê?Destruiu tudo o que estava feito, mudava de opiniões e nomeou uma pessoa absolutamente inclassificável, sem preparação para director geral das artes, o João Aidos. A ex-ministra é uma boa pianista, fez um bom trabalho na Orquestra Metropolitana, mas tornou-se frívola e deslumbrou-se com ministério. Depois resolveu cortar nos subsídios das principais companhias. A mim tirou-me 150 mil euros e não posso perdoar a quem me tira esse dinheiro».

quarta-feira, 22 de junho de 2011

A Poesia Portuguesa no Vaticano

José Tolentino Mendonça é um dos 60 artistas convidados, o único português, para os 60 anos de ordenação sacerdotal de Bento XVI.O presidente do Conselho Pontifício da Cultura, o cardeal italiano Gianfranco Ravasi, organizou uma homenagem ao Papa por parte de 60 personalidades de «nível internacional e pertencentes às diversas categorias artísticas», como a «pintura, escultura, fotografia, literatura e poesia, música, cinema, ourivesaria», refere uma nota de imprensa da Santa Sé. Assim, na manhã de 4 de Julho, Bento XVI vai inaugurar a exposição com os contributos artísticos: a mostra, intitulada “O esplendor da verdade, a beleza da caridade”, vai estar aberta ao público entre 5 de julho e 4 de setembro, de segunda a sábado, das 10h00 às 19h00. «Fazei coisas belas, mas sobretudo tornai as vossas vidas lugares de beleza», disse o Papa Bento XVI aqui em Lisboa, no CCB. Assim seja.

«O SILÊNCIO

Regressamos a uma terra misteriosa
trazemos uma ferida
e o corpo ferido
imprevistamente nos volta
para margens mais remotas

Giorgio Armani tinha declarado
àquele jornal inglês: «o luxo desagrada-me,
é anti-democrático.
Quero agora homenagear os operários de todo o mundo»
Eu só pensava em São João da Cruz
enquanto ouvia pela enésima vez:
«a moda substituiu o luxo
pela elegância»

João da Cruz fala de coroas,
resplendores, casulas
véus de seda, relicários de ouro e
diamantes

para lá do jogo das nossas defesas
qualquer coisa interior
a intensa solidão das tempestades
os campos alagados,
os sítios sem resposta

o teu silêncio, ó Deus, altera por completo os espaços»

José Tolentino Mendonça

quarta-feira, 8 de junho de 2011

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Maio foi ... uma Peregrinação Sexy!


Com os novos Carcavelos da Harper's Bazaar!

sexta-feira, 27 de maio de 2011

À PROCURA DA PALAVRA

P. Vítor Gonçalves

DOMINGO VI DA PÁSCOA

…o Espírito da verdade...

habita convosco e está em vós.

Jo 14, 17

O manual de instruções

Quem ainda nunca sentiu o fascínio que é montar um móvel comprado na IKEA (passe a publicidade)? Começa logo na escolha das inúmeras possibilidades de combinações e a promessa de cada um poder ser um verdadeiro carpinteiro e decorador. Depois é a aventura de seguir, passo a passo, as instruções do manual como se fosse um livro mágico que, de placas e parafusos caóticos, convida a criar a obra prima que poderemos apresentar aos amigos (ou obriga a telefonar a quem entenda porque a mesa se transformou em estante!). Alguém já lhe chamou o “lego” dos adultos, capaz de devolver uma certa nostalgia perdida de cada um dar um toque pessoal até àquilo que reveste a sua casa. Os materiais podem não ser muito duráveis, mas isso também tem o aliciante de uma renovação de tempos a tempos.

Maravilha-me o tempo pascal porque ele nos remete sempre aos tempos iniciais da Igreja e da criação das primeiras comunidades. De como com aqueles materiais frágeis dos discípulos e até dos seus erros e pecados Deus foi consolidando comunidades irradiadoras da Boa Nova. Foram também as circunstâncias que criaram possibilidades de novos serviços e até as perseguições ajudaram a não enclausurar o evangelho. E, tudo isto, sem um manual de instruções! Ou melhor, descobrindo que o verdadeiro manual de instruções se chama Espírito Santo. Os materiais eram e são simples: a vida vivida com autenticidade, os mandamentos de Jesus acolhidos e cumpridos, o respeito e a liberdade perante a tradição, o amor a consolidar tudo. E o Espírito da verdade a habitar connosco e em nós.

Por isso, pior que o erro e o engano é aprisionar a liberdade de escolher, é aguentar uma “meia-vida” porque “tem de ser” e não aceitar que se errou e é possível uma transformação. São Pedro seria, na lógica de muitas organizações, uma improvável escolha para a missão de “confirmar os irmãos na fé”. Claro que o Espírito da verdade o ajudou a trazer ao de cima do coração e da boca o que nele era essencial: “Senhor, sabes tudo, bem sabes que te amo!”. Nele se confirma a sábia frase que o filme “Encontrarás dragões” (sobre a guerra civil espanhola e os primeiros anos da vida de S. Josemaria Escrivá) apresenta nos seus cartazes: “Todos os santos têm um passado”. Falta acrescentar a segunda parte: “E todos os pecadores, um futuro”!

Acreditar que o Espírito Santo é “manual de instruções” para a Igreja e para a vida de cada cristão é assumir a sua escuta como tarefa quotidiana e encarar os erros como novas possibilidades de construção. Não somos “pau para toda a colher”, não temos os dons todos nem somos capazes de tudo. Mas aquilo que damos com alegria Deus sabe multiplicar. E, como diz um amigo meu:” Sei que, ainda que erre no meu caminho, Deus não desistirá de me chamar à vida em plenitude!”

terça-feira, 24 de maio de 2011

A blogosfera da Cultura Institucional

O que estava no Blog do Ministério da Cultura e o MC apagou. O Blog AVENTAR conseguiu recuperar.

«Já foi aqui devidamente notificado que o Ministério da Cultura apagou dois posts relacionados com o facto de este organismo público ter usado meios públicos para distribuir propaganda do PS. Usando a cache do Google foi possível recuperar esses posts mas como a cache acaba por desaparecer, aqui ficam os textos em questão para memória futura.A título de curiosidade, também se incluir a equipa do blog, composta por cinco colaboradores, a qual produziu uma estrondosa audiência diária média de 214 visitantes. Uma outra curiosidade reside no facto de este blog, à semelhança de diversos blogs com afinidades socialistas, ter a moderação de comentários activada, com escassos comentários aprovados (haveria mais? com moderação de comentários nunca se saberá) e de teor globalmente positivo.1. Post existente no blog oficial do Ministério da Cultura antes de ter sido apagado pelo próprio ministério e no qual o programa do PS é divulgadoLink original: http://bloguedacultura.blogspot.com/2011/05/progra ma-eleitoral-legislativas-2011.html
SEGUNDA-FEIRA, 9 DE MAIO DE 2011Programa Eleitoral Legislativas 2011
Publicado por Gabriela Canavilhas
Política para a Cultura
O Partido Socialista, historicamente, tem sido responsável, em Portugal, pelas principais medidas políticas que reconheceram o valor simbólico e estrutural da Cultura e que estabeleceram as estratégias globais para a afirmação da sua acção.O compromisso com a Cultura terá continuidade, nas suas linhas estruturais gerais ` a preservação da memória histórica e patrimonial e a renovação contínua do conhecimento e da criação ` assentes na Língua Portuguesa como património identitário partilhado por mais de 250 milhões de pessoas em todo o mundo, no nosso património móvel, imóvel e imaterial, e na actividade artística, em todas as suas expressões.A transversalidade económica que resulta da actividade cultural, a qualificação e a capacitação dos cidadãos através do conhecimento e o reforço da respeitabilidade internacional da cultura portuguesa, são os objectivos fundamentais da política cultural, que constitui um dos principais vectores da afirmação nacional, quer no plano interno, quer no plano externo.Para a consolidação das estratégias de afirmação do património cultural e do tecido cultural português, importa prosseguir a qualificação das estruturas, dos equipamentos e dos recursos dos criadores portugueses, através: a) Do reforço das redes de parcerias com as autarquias e a sociedade civil, nas áreas do património, das artes, nas estruturas de produção artística, nos equipamentos culturais e recursos humanos, sedimentando e desenvolvendo projectos como: Rotas das Catedrais, Rede de Monumentos do Património da Humanidade, Rota do Românico no noroeste peninsular e Rede de Bibliotecas Municipais; do reforço do papel da RTP na preservação e divulgação patrimonial e artística; e ainda, criando projectos estruturais como a Rede Portuguesa dos Teatros Municipais e Rede de Cinema Digital. b) Do reforço das medidas de preservação patrimonial, através do Sistema Nacional de Conservação para o Património Imóvel e do estabelecimento de novas parcerias com o poder local para consolidação de regeneração urbana nos Centros Históricos; da recolha e tratamento do Património Imaterial português, do desenvolvimento do Portal Português de Arquivos e do Manual e Planos de Preservação Digital e do reforço do desenvolvimento de conteúdos da Biblioteca Nacional Digital; da implementação do Regime Jurídico para o Depósito Legal das Imagens em Movimento e Depósito Legal de Publicações Bibliográficas; da criação de um museu dedicado às Descobertas Marítimas e à Expansão da Cultura Portuguesa no Mundo, da intervenção de remate do alçado poente do Palácio Nacional da Ajuda; da criação do Arquivo Sonoro Nacional e da instalação do Museu Nacional da Música em espaço definitivo, c) Do reforço dos mecanismos de financiamento do sector cultural, através da revisão da Lei do Cinema e da Lei da Cópia Privada; da implementação de mecanismos de combate à pirataria de bens autorais na NET; da criação de um organismo de gestão comum aos Teatros Nacionais e da promoção de modelos de gestão dos museus e palácios envolvendo os cidadãos, as comunidades e as entidades de economia social; da criação do Estatuto do Bailarino e do Fundo de Reconversão Profissional dos bailarinos; de melhoramento dos mecanismos de fiscalização e repartição equitativa nos apoios às actividades artísticas independentes visando a coesão, desenvolvimento regional e reconhecimento do mérito; e ainda, da criação de novos programas de incentivo e promoção à actividade artística amadora. d) Do reforço dos mecanismos conducentes à Internacionalização da Cultura Portuguesa, através da criação do Fundo para a Internacionalização; do regime jurídico que promova a Mobilidade Internacional de obras e autores; de programas de incentivo fiscal às produções internacionais de cinema que decorram em Portugal; do programa INOV-ART de estágios internacionais para jovens criadores; da articulação com o Instituto Camões e o IPAD nas iniciativas de promoção cultural externa; de reforço às traduções de autores portugueses e em programas de apoio às empresas do sector industrial criativo e cultural; na afirmação de Guimarães Capital 2012 Capital Europeia da Cultura como projecto estrutural de projecção internacional da cultura portuguesa; na consolidação das parcerias com os países lusófonos nas diversas áreas do sector cultural, nomeadamente no reforço da importância da Língua Portuguesa como factor de unidade estratégica nas políticas externas no quadro da Lusofonia e na afirmação de Portugal no plano internacional; ainda, no acompanhamento das iniciativas e missão do Instituto Internacional de Língua Portuguesa, consolidando a aplicação do Acordo Ortográfico em Portugal e nos países da CPLP; finalmente, importa reforçar a presença de Portugal nas organizações e actividades internacionais em prol da cultura, designadamente no contexto da União Europeia, do Conselho da Europa e da UNESCO.

2. Post existente no blog oficial do Ministério da Cultura antes de ter sido apagado pelo próprio ministério, onde a ministra da cultura apresenta o seu ponto de vista quanto ao facto de ter publicado o programa do PS no blog oficial do ministério da culturaLink original: http://bloguedacultura.blogspot.com/2011/05/esclarecimento.html

SEXTA-FEIRA, 20 DE MAIO DE 2011
Esclarecimento Publicado por Gabriela Canavilhas
A presença neste blogue do programa eleitoral do Partido Socialista para a Cultura desencadeou reacções acaloradas, nomeadamente, do Bloco de Esquerda, que considera que o Ministério da Cultura abusou dos seus meios institucionais para propaganda política.Na verdade, o actual Ministério da Cultura é um dos organismos do XVIII Governo Constitucional, formado pelo Partido Socialista, e aplica o seu programa governativo emanado do seu programa eleitoral, apresentado ao eleitorado em 2009. Não é um organismo apartidário, como muito bem sabe o BE. De resto, ao longo dos 17 meses do seu mandato, o BE não se cansou de criticar as suas políticas e de criticar o PS como matriz ideológica dessas políticas. O Ministério da Cultura, tal como os restantes organismos governamentais, não são apartidários nem independentes na concepção ideológica da sua estratégica política. São independentes apenas na implementação da sua acção política - que se destina a todos os portugueses, independentemente das opções de cada um.E não cultiva a hipocrisia.-Aspecto gráfico do post em questão:-(O print screen completo do post pode ser enviado a quem tal o peça.)

Mensagem existente no blog oficial do Ministério da Cultura a anunciar o fecho do blog
SÁBADO, 21 DE MAIO DE 2011 Publicado por Gabriela Canavilhas
A campanha eleitoral inicia-se oficialmente amanhã.Consideramos que este espaço cumpriu a sua missão e que encerra aqui a sua função.Um bem haja a todos que o visitaram e que com ele interagiram durante os 7 meses em que esteve ao serviço de uma maior comunicação e divulgação da nossa acção em prole da Cultura»

Obrigada, Sra. Ministra, por ter sido tão séria em ter encerrado o blogue antes do período eleitoral começar.Outros não teriam tido a mesma atitude.Tive pena que os meus comentários não tivessem sido publicados, mas acontece que não sou grande «espingarda» nestas coisas da internet e, porventura, não chegaram lá.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Manuel António Pina -Prémio Camões 2011

«Para cá de mim e para lá de mim, antes e depois.
E entre mim eu, isto é, palavras,
formas indecisas
procurando um eixo que
lhes dê peso, um sentido capaz de conter
a sua inocência
uma voz (uma palavra) a que se prender
antes de se despedaçarem
contra tanto silêncio.
São elas, as tuas palavras, quem diz «eu»;
se tiveres ouvidos suficientemente privados
podes escutar o seu coração
pulsando sob a palavra da tua existência,
entre o para cá de ti e o para lá de ti.
Tu és aquilo que as tuas palavras ouvem,
ouves o teu coração (as tuas palavras «o teu coração»)? »

Manuel António Pina

terça-feira, 5 de abril de 2011

terça-feira, 15 de março de 2011

oração da manhã

DESPOJADA DE MIM, ENFIM TE ENCONTRO

Ensina-me hoje, Senhor, a prece de um coração arrependido.

Bem sabes quanto é vasto o espaço que me dou a mim própria. Tão grande,

que não permite que sejas Tu o único Senhor da minha vida.

É que me prendem muitos medos:

Medo da solidão

e dos dias que correm.

Medo da doença.

Medo da notícia que há-de vir.

São redes que me prendem estes medos.

Sou eu

e não Tu, Senhor Jesus,

quem está no centro da existência que me deste.

Por Tua graça, ensina-me a coragem de fazer do meu coração, um coração que confiante se abandona.

E que chegue o silêncio e o espaço vazio,

em que, despojada de mim,

enfim Te encontre,

enfim me encontre.

domingo, 13 de março de 2011

Querida Miss, é possível descrever a amizade?


«Há dois provérbios que declinam a amizade em perspectivas complementares : o de Séneca, que diz: «ter um amigo é ter alguém por que morrer; e um provérbio inglês que ensina : viver sem amigos é morrer sem testemunhas».Mas é possível descrever a amizade? Quando nos confrontamos com a pergunta, sentimos que as dificuldades se ampliam.....até porque da sua natureza a amizade é implícita.Há uma ética da amizade, mas essa não vem escrita.....O traço mais universal da sua gramática é, talvez, o da presença: mas esta tanto se faz de muitos encontros, como de poucos; de muitas palavras ou de um silêncio espaçado e confidente; de um telefonema por dia ou por ano; de uma ou de incontáveis atenções...O importante é que tudo isso se torne, a dada altura, uma história que nos acompanha e por onde o essencial da vida passa». Este é um excerto de um texto do P.Tolentino sobre a amizade.Que eu dedico a uma grande amiga.Grande, porque neste mesmo sentido que lhe dá o P.Tolentino, é uma mulher de presença, presença continua e profícua.De conversa ou de silêncio confidente.De incontáveis atenções.Obrigada por seres minha amiga.

sexta-feira, 11 de março de 2011

sexta-feira, 4 de março de 2011

«A poesia de cada dia nos dai hoje», Adília Lopes

Li com enorme entusiasmo o texto que o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura nos trouxe no passado dia 25 de Fevereiro, sobre a poetisa Adília Lopes. O título «As armas desarmantes de Adília Lopes» chama desde logo a atenção.E eu tinha uma enorme curiosidade de ler alguma coisa sobre ela, porque conhecia muito pouco da sua obra: uns poemas soltos aqui e ali, que me fascinavam.Comecei então a ler o texto e são essas sensações que venho partilhar: lê-se de uma rajada, com a respiração aos solavancos, tal é a pressa de passar à frente, sem perder o que fica para trás. A forma e a matéria cruzam-se e dançam maravilhosamente.A forma de escrever de Rosa Martelo e a matéria de viver para a entrevista e para a vida de Adília.
Desinstala-nos o pensamento. Faz-nos voar , alto, alto. Cair e voltar a levantar voo. Querer voltar a ler Adília Lopes, deliciosamente.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Há que ter «Olhos de ver»!





É imperdível o texto deste mês da folha da Igreja de Santa Isabel. A propósito do Encontro Nacional «Prioridade às Crianças», uma iniciativa da Cáritas Portuguesa na qual o P. José Manuel participou, parte o nosso Prior da importância do «ver» no processo de identificação dos sinais de risco e de perigo no mundo/vivência das crianças.A partir daqui escreve um texto sério, alegre e desafiante, que nos questiona quanto ao saber «ler e reler a vida», ao ser preciso estar estar vigilante e ao facto da indiferença «matar».Leiam e releiam. Só uma vez não chega.Magnífico.Não digo nem mais uma palavra.



sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Milagres Portugueses



Obra da irmãzinha tecedeira do Estoril saída no NYTimes.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Diocese de Beja + Biodiversidade

Igrejas históricas vão ser núcleo de biodiversidade para projecto no Baixo Alentejo


Igreja da Safira, Montemor.

As igrejas históricas do Baixo Alentejo vão cruzar-se com a biodiversidade num projecto que visa a promoção da paisagem desta região de Portugal. O objectivo é o desenvolvimento do turismo ambiental, a salvaguarda da natureza e colocar um holofote nestas igrejas que são património histórico.

O projecto resulta de uma parceria entre o Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) e o Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja (DPHADB).

O director do DPHADB, José António Falcão, explicou hoje que o projecto visa “mobilizar a participação da sociedade civil para salvaguardar valores naturais e culturais do Baixo Alentejo”. A ideia surgiu depois do departamento verificar a riqueza das envolventes dos monumentos religiosos, “sobretudo em zonas rurais, são verdadeiros santuários da vida selvagem”.

As torres dos campanários são “pontos privilegiados de nidificação” para algumas aves, como o francelho e a cegonha, e os adros e outros espaços em redor dos templos “reúnem condições excepcionais para a preservação da fauna e da flora” e são locais de refúgio de aves ameaçadas, como a abetarda e o sisão. Neste sentido, o projecto vai, “em primeiro lugar, ajudar a salvaguardar a biodiversidade” e, por outro lado, “trazer nova vida” a monumentos religiosos.

Trata-se de igrejas e ermidas históricas situadas em meio rural e que, “devido ao isolamento ou por já não serem utilizadas para culto permanente, encontram no património natural um bom motivo para serem visitadas e terem uma função social útil”, explicou. O projecto vai incidir sobretudo na zona do Campo Branco, que abrange os concelhos de Aljustrel, Almodôvar, Castro Verde, Mértola e Ourique, na Zona de Protecção Especial de Cuba e no Vale do Guadiana, disse.

Participação da comunidade

Uma das acções do projecto vai criar rotas de turismo ambiental para “desafiar os automobilistas a descansar algumas horas, saindo dos percursos de estrada e seguindo por caminhos secundários, para conhecerem alguns dos sítios da região mais espantosos em termos de conservação da biodiversidade”.

Os trabalhos vão passar também por “dinamizar a participação da comunidade”, sobretudo de escolas e agricultores, para desenvolver acções simples e pouco dispendiosas. A “melhoria de pontos de água”, as chamadas “fontes santas”, que existem junto a templos, e a plantação de pequenas searas de feijão-frade ou outras leguminosas, são algumas das ideias que “podem ajudar a fixar e a alimentar aves ameaçadas”, como a abetarda e o sisão, disse.

O projecto vai envolver escolas na monitorização da fauna selvagem, através de “câmaras web” instaladas em sítios estratégicos e que “podem fazer a diferença para a sobrevivência de espécies ameaçadas”.

O protocolo entre o ICNB e o DPHADB para implementação do projecto vai ser assinado na terça-feira, numa cerimónia a partir das 11h30 na igreja matriz de Mértola.

in Público,
(Lusa_10.01.2011)

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O Presépio somos nós
É dentro de nós que Jesus nasce
Dentro destes gestos que em igual medida
A esperança e a sombra revestem
Dentro das nossas palavras e do seu tráfego sonâmbulo
Dentro do riso e da hesitação
Dentro do dom e da demora.
Dentro do redemoinho e da prece
Dentro daquilo que não soubemos ou ainda não tentamos

O Presépio somos nós

É dentro de nós que Jesus nasce

Dentro de cada idade e estação

Dentro de cada encontro e de cada perda

Dentro do que cresce e do que se derruba

Dentro da pedra e do voo

Dentro do que em nós atravessa a água ou atravessa o fogo

Dentro da viagem e do caminho que sem saída parece

O Presépio somos nós

É dentro de nós que Jesus nasce

Dentro da alegria e da nudez do tempo

Dentro do calor da casa e do relento imprevisto

Dentro do declive e da planura

Dentro da lâmpada e do grito

Dentro da sede e da fonte

Dentro do agora e dentro do eterno

José Tolentino de Mendonça

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Feliz Natal



Feliz Natal e que o Ano de 2011 se torne num
Ano Novo de aprendizagem e de amizade pelos
outros.


para todas com um grande beijinho
da Maria João

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

domingo, 12 de dezembro de 2010

Gafes... num sítio onde se não dá só de comer!


Grande Generala e Reagan a darem-nos sopa ;-)

No centro de Lisboa, um grupo de católicos "preocupados com a crise" organiza, há um ano, jantares "de porta aberta". "Comida muito boa" e um acolhimento caloroso atraem cada vez mais gente às ceias com nome de rainha milagreira.


"Comer quentinho"

Sopa de ervilhas, carne de porco com castanhas, baba de camelo e doce do céu. A ementa está escrita num quadro à porta do salão paroquial da igreja de Santa Isabel, em Campo de Ourique, cuja porta abriu às 19.30. Qualquer pessoa - muito, pouco ou nada necessitada - pode aparecer. A acolhê-la, está um "dono da casa", espécie de chefe de sala deste restaurante sui generis onde todo o serviço (confecção, compra e recolha de alimentos) é feito por voluntários e financiado por dádivas diversas. Tão diversificadas como se desejam os clientes - de idosos da zona a gente que "vem de autocarro de Benfica e de Belém"; de reformados e desempregados a crianças de um colégio privado que esta noite vêm, no âmbito da disciplina de "Solidariedade", passar uma noite com "pessoas que não têm a possibilidade de ter uma refeição destas todos os dias" (Joaquim, 10 anos); de sem abrigo a paroquianos entre rezas e reflexões comunais que vêem nisto uma parte da sua prática religiosa; ou, simplesmente, quem goste do ambiente e da comida e do preço e faça disto um hábito.

Hoje a dona da casa é Mafalda Folque. 45 anos, funcionária do Ministério da Cultura, católica mas da "equipa" da capela do Rato ("O meu marido é que costuma vir a Santa Isabel"), dirige a sala esta noite. É dela que Maria de São José Tavares, 54 anos, médica, em estreia nestas lides, recebe instruções de como orientar o serviço de café e chá. "Venho porque acho que devemos ter um papel de solidariedade e de partilha. E que é preciso multiplicar as iniciativas, em vez de ficarmos à espera que alguém faça", diz a novata. "Isto em vez de ser a excepção devia ser uma rotina."

Está tudo no lugar - os pratos e as velas acesas nas mesas, a sopa em caldeirões ao fundo do lado direito mais os jarros de água, os tabuleiros com a carne e o arroz do lado esquerdo - quando chega o primeiro conviva, Agostinho Machado, 83, ex-pintor da construção civil. Um homem pequenino, com uma reforma de 240 euros, que vive com o filho, "empregado numa casa qualquer". "Ele ganha pouco, se eu não precisasse não vinha cá. E aqui como o comer quentinho, é bom. Ao menos enche a barriga." Soube da ceia na igreja ("Moro aqui ao pé, sou católico. Casei aqui. Há muitos anos") e sobre a clientela é reservado. "Há de tudo. Conheço pessoas, mas há pessoas com quem não se pode ter muita conversa. A gente nunca deve dar confiança."


"Fazer comunidade"

Confiança, dir-se-ia, é exactamente o que se oferece aqui, nesta ideia de mistura, de sentar toda a gente na mesma mesa. Isso que exalta a voz de Maria Cortez de Lobão, 49 anos, auto classificada "mãe de família" (sete filhos entre os 20 e os 4): "Não é só um sítio onde se dá de comer. É dar o que somos, fazer comunidade". Maria é a pessoa que na Igreja de Santa Isabel referem como a certa para explicar o que é isto, esta ceia de que se ouviu falar e onde qualquer pessoa pode ir, lançada em Janeiro deste ano às quintas e, desde Outubro, também aos domingos. "A ideia disto era prover a outro grupo de pessoas que não aquelas para as quais já há respostas organizadas. Não sabemos quando as pessoas precisam... Vem aqui gente que à partida não pareceria precisar e só ao fim de muitos dias se abre - se se abrir - e ficamos a saber que tem necessidades. É isso que queremos: que ninguém fique sozinho com as suas aflições." A construção da ideia levou mais ou menos seis meses. Foi preciso fazer obras e equipar uma pequena cozinha (frigorífico, máquina de lavar loiça industrial, fogão) e organizar equipas de voluntários que, entre os que recolhem os géneros, os que cozinham e os que ajudam na sala e arrumam no fim, somam cerca de 130 pessoas. E foi preciso, claro, arranjar dinheiro para pagar o que tem de ser pago. "Nunca se gasta menos de 400 euros por jantar, mesmo com tudo o que é oferecido." A sopa das quintas-feiras (hoje de ervilha, 20 litros), por exemplo, vem do restaurante Avis, recolhida por um administrador de uma empresa da área da comunicação que se apresenta como "sopeiro" (noutros dias é "dono da casa") e prefere ser identificado só como "António". O pão, 50 "bolinhas de mistura" com o valor de venda de 8,50 euros, é oferta da Panificação Mecânica, da Rua Silva Carvalho, cujo proprietário, António Martins Gaspar, 64 anos, se preocupa "com as pessoas que têm necessidade de ir à ceia e não vão por vergonha, enquanto outras com dinheiro no banco vão lá", e "levantado" pela voluntária Rosália Tatone, 69 anos, que, reformada com 360 euros e a pagar 200 de renda, acumula com a frequência das ceias. O minimercado Aba, onde se compram "os frescos", ofereceu um saco de alfaces e cheiros no valor de 20 euros, correspondente a mais de um terço da conta, que inclui de legumes e fruta a ovos e leite condensado e é recolhida por Pedro Andrade e Sousa, 57 anos, empresário da construção. "Temos um apoio do Recheio Cash & Carry que vamos buscar uma vez por mês, mas quisemos fazer as compras no bairro não só para ajudar o comércio local e insistir nesta ideia de comunidade, como porque é mais fácil assim; para ir buscar coisas a um hipermercado ou ao Banco Alimentar era preciso outra logística, mais complicada", explica ainda Maria.

E o dinheiro vem de onde? "Dádivas diversas", que incluem um escritório de advogados, uma fundação e variados anónimos. E o produto das contribuições que nas noites da ceia são depositadas numa caixa colocada na sala para o efeito, e que pode ficar vazia ("Só aconteceu uma vez") ou meio cheia mas que raramente ultrapassa os 40 euros - um décimo do custo estimado para os 80 jantares (uns 700 por mês) que têm sido a regra.

"Uns dos outros"

Podia sair muito mais barato, mas a resolução de partida era "dar uma boa refeição", com sopa, carne ou peixe e sobremesa. Comida de que todos gostassem, receitas escolhidas pelos voluntários entre aquilo para que "tivessem jeito". Comida que todos comem, incluindo, no fim da noite (que acaba às 9 e tal), quem cozinha - hoje Amélia Nogueira Pinto, 46 anos, neurologista, Cristina Melo Vieira, 49, fisioterapeuta, Maria João Robalo, 47, educadora de infância e Mafalda Folque (filha da dona da casa de serviço), 15 anos, estudante. Desde as cinco da tarde que se afadigam à volta do tacho onde 13 quilos de carne, quatro de castanhas e outros tantos litros de vinho borbulham.

Um espaço interdito a quem não esteja fardado de toca e bata, como Duarte, Miguel e Tomás, 15/16 anos, que ajudam a pôr as mesas, dispõem a fruta em taças e depois andam de mesa em mesa, a distribuir piropos e beijos às senhoras. Como a artista gráfica Maria Adelaide Nobre, 79 anos joviais malgrado de uma trombose há 10, que conta histórias dos jornais e "daquele do laço" (Baptista Bastos) e vive desde que nasceu na mesma casa de Campo de Ourique. Ou Maria Cândida de Marques Antunes, 78 anos, reformada da casa de tintas Varela, que só recebe 200 euros de reforma porque nunca descontou para a Segurança Social: "Antes do 25 e Abril não descontávamos. Nem eu nem ninguém."

Noutra mesa, Hélder Lopes, 42 anos, e Elsa Teixeira, de 46 são, descontando as crianças que hoje vieram, dos clientes mais novos. Já se conheciam antes e vêm, dizem, "para conviver, passar o tempo" - ele identifica-se como funcionário público, ela como trabalhando nas Amoreiras. Não frequentadores das igrejas da zona, souberam disto pela mãe dele. E acham bem: "Toda a gente precisa uns dos outros."


"O amor de Deus"

Há quem apareça só para falar, garante António, o "sopeiro". Mesmo se "no princípio as pessoas, nem imagina, iam a correr para a comida. Levavam aos seis bocados de pão, com medo que acabasse. E enchiam os pratos de tal modo que depois não comiam tudo, era um desperdício. Tivemos que explicar que podiam voltar a servir-se e que tinha de haver regras. Agora já sabem: levanta-se uma mesa de cada vez."

A ordem está bem interiorizada. Mal a dona da casa toca um sino, toda a gente se levanta, em silêncio. Já sabem o que se segue: uma oração, um ritual breve antes que seja dado o sinal de partida para os tabuleiros onde fumegam as cheirosas vitualhas. "Nada lhes é pedido, nem sequer imposto", responde Maria Cortez de Lobão à pergunta sobre este momento de proselitismo. "Não obrigamos nin- guém a rezar, mas nunca pusemos sequer a hipótese de isto não acontecer. É o que somos, a nossa identidade. O que nos move é o amor de Deus e Deus ama todos, não só aos seus. Não fazer isto era como chegar aqui e falar outra língua. E nunca ninguém protestou."

Há às vezes, claro, uma outra arruaça. Uma porta escancarada tem desses riscos. Hoje é um homem que entra, muito zangado. Quando lhe oferecem comida, recusa: "Eu não como, fico o dia sem comer!" Interpela António Serrano, 62 anos, um dos voluntários, que está sentado a jantar: "Ó senhor padre, desculpe lá, onde é que está a D. Teresa, que me prometeu dar dinheiro?" Serrano nega ser padre e diz que a D. Teresa não está. O homem berra: "Prometem mundos e fundos e não ajudam as pessoas." No meio da sala cheia, saciada, agora nas sobremesas (e nada para prender a atenção como os doces) a irrupção desenha sorrisos complacentes, perplexos.

"Tão difícil imaginar"

Junto aos tabuleiros agora quase vazios, José Pinto, 51 anos, desempregado desde 1987, tira de um saco de plástico um recipiente. São nove e pouco, as portas estão quase a fechar e o costume é dar o que resta a quem quiser levar para casa. Ex-secretário de advogado, licenciado em Filosofia, mestre em Direito, 3º ano de económicas, José vive "das reservas". Vem às ceias sempre. "E tento levar alguma coisa. Como vê."

Há quem deixe qualquer coisa. Maria da Glória, 52 anos, e Jorge Neves, 72, ele "desenhador", ela "que toma conta de idosos" (e, explica ele num sorriso maroto, "Por isso está a tomar conta de mim, vamos casar"), não saem sem visitar o mealheiro. Já na rua, de braço dado e o passo ligeiro de quem passou um bom bocado, acedem às perguntas. "Moramos aqui mesmo ao pé, viemos pela primeira vez há três meses e sentimo-nos bem. Mais pelo convívio mas também pela comida, que é espectacular. Isto é para pessoas mais carenciadas, mas deixamos qualquer coisa. O que podemos." Hoje deixaram quatro euros, às vezes, garantem, deixam cinco.

No dia seguinte, as contas revelam uma noite em cheio: 93.10 euros. Ao telefone, a sempre enérgica Maria festeja: "Foi das melhores. Devem ter sido os miúdos, havia muitas notas de cinco. Tinham-lhes dito na escola que só davam se quisessem e, pelos vistos, deram." O preço de um bilhete de cinema. Talvez, como diz o louríssimo Faustino, de 12 anos, aluno do liceu Rainha D. Amélia que veio com o irmão Luís, de 10, do colégio de Santa Maria, "porque é tão difícil imaginar o que será não ter sempre uma refeição a horas." E os milagres, de pães, rosas ou euros, não são assim tão frequentes.

FERNANDA CÂNCIO , publicado no DN a 2010-12-12 às 01:00.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A Amizade

«Mas quem é que caminha a teu lado?». Quando me reencontro com esta pergunta, trazida por um verso de T.S. Eliot, penso quase sempre nos amigos. Um amigo, por definição, é alguém que caminha a nosso lado, mesmo se separado por milhares de quilómetros ou por dezenas de anos. O longe e a distância são completamente relativizados pela prática da amizade. De igual maneira o silêncio e a palavra. Um amigo reúne estas condições que parecem paradoxais: ele é ao mesmo tempo a pessoa a quem podemos contar tudo e é aquela junto de quem podemos estar longamente em silêncio, sem sentir por isso qualquer constrangimento. Tenho amigos dos dois tipos. Com alguns, sei que a nossa amizade se cimenta na capacidade de fazer circular o relato da vida, a partilha das pequenas histórias, a nomeação verbal do lume mais íntimo que nos alumia. Com outros, percebo que a amizade é fundamentalmente uma grande disponibilidade para a escuta, como se aquilo que dizemos fosse sempre apenas a ponta visível de um maravilhoso mundo interior e escondido, que não serão as palavras a expressar.

O modo como uma grande amizade começa é misterioso. Podemos descrevê-lo como um movimento de empatia que se efetiva, um laço de afeição ou de estima que se estreita, mas não sabemos explicar como é que ele se desencadeia. Irrompe em silêncio a amizade. Na maior parte das vezes quando reconhecemos alguém como amigo, isso quer dizer que já nos ligava um património de amizade, que nos dias anteriores, nos meses anteriores, como escreveu Maurice Blanchot, «éramos amigos e não sabíamos».

Aquilo de que uma amizade vive também dá que pensar. É impressionante constatar como ela acende em nós gratas marcas tão profundas com uma desconcertante simplicidade de meios: um encontro dos olhares (mas que sentimos como uma saudação trocada entre as nossas almas), uma qualidade de escuta, o compartilhar mais breve ou demorado de uma mesa ou de uma conversa, um compromisso comum num projeto, uma qualquer ingénua alegria…A linguagem da amizade é discreta e ténue. E ao mesmo tempo é inesquecível e impressiva.

Há aquele ditado que diz: «viver sem amigos é morrer sem testemunhas». A diferença entre os conhecidos e os amigos é a mesma que distingue um ocasional espetador daquele que está habilitado a testemunhar. Este último disponibiliza-se realmente a ser presença. Se tivesse de resumir a sua natureza, apetecia-me dizer: um amigo é alguém que foi capaz de olhar, mesmo que por um segundo apenas, o fundo da nossa alma e transporta depois consigo esse segredo, da forma mais gratuita e inocente. E nós retribuímos o mesmo. Em dois ou três poemas de Adília Lopes sublinhei, há tempos, isso. No idioma da poesia de Adília, a amizade era descrita assim: «busquei o amor sem ironia». A amizade, mesmo quando nos fartamos de rir e de alegrar com os outros, é esse transparente amor.

Tenho por uma grande verdade aquilo que escreveu o filósofo Paul Ricoeur: «para ser amigo de si próprio é necessário ter já vivido uma relação de amizade com alguém».

José Tolentino Mendonça
In Diário Notícias (Madeira)
21.11.10

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

PODEM TRAZER A ESTOLINHA!


Eglise de Kuokkala, Jyväskylä, Finlande. Credit Jussi Tiainen, AQUI

Imagem enviada pela nossa Irmãzinha Tecedora
da região autonoma do Estoril.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Why not?!!


domingo, 7 de novembro de 2010

Re_aprender a só ser...


Texto completo aqui

Ao ler este artigo, lembrei-me subitamente de um dialogo brilhante que ouvi há anos numa telenovela passada numa favela do Rio de Janeiro:

Criança -... o que é classe média?!

Marilia Pêra - ô queridinha... classe média... é... é pobre metido a Besta!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Algum tempo atrás, li um livro que comparava a vida com uma viagem de comboio.
Uma leitura extremamente interessante, quando é bem interpretada…
A vida não é mais do que uma viagem de comboio:
Repleto de embarques e desembarques, salpicado por acidentes, surpresas agradáveis em algumas estações e profundas tristezas noutras.
Ao nascer, subimos para o comboio e encontramo-nos com algumas pessoas que acreditamos que estarão sempre connosco nesta viagem: os nossos PAIS.
Lamentavelmente, a verdade é outra.
Eles sairão em alguma estação, deixando-nos órfãos do seu carinho, amizade e da sua companhia insubstituível.
Apesar disto, nada impede que entrem outras pessoas que serão muito especiais para nós.
Chegam os nossos irmãos, amigos e esses maravilhosos amores.
De entre as pessoas que apanham este comboio, também haverá quem o faça como um simples passeio.
Outros, só encontrarão tristeza nessa viagem…
E outros também, que circulando pelo comboio, estarão sempre prontos para ajudar quem precisa.
Muitos, quando descem do comboio, deixam uma permanente saudade…
Outros passam tão despercebidos que nem reparamos que desocuparam o lugar.
Às vezes, é curioso constatar que alguns passageiros, que nos são muito queridos, se instalam noutras carruagens, diferentes da nossa.
Assim, temos de fazer o trajecto separados deles.
Mas, nada nos impede que, durante a viagem, percorramos a nossa carruagem com alguma dificuldade e cheguemos até eles…
Mas, lamentavelmente, já não nos poderemos sentar ao seu lado, pois estará outra pessoa a ocupar o lugar.
Não importa. A viagem faz-se deste modo: cheio de desafios, sonhos, fantasias, esperas e despedidas… mas nunca de retornos.
Então, façamos esta viagem da melhor maneira possível…
Tratemos de nos relacionar bem com todos os passageiros, procurando em cada um, o melhor deles.
Recordemos sempre que em algum ponto do trajecto, eles poderão hesitar ou vacilar e, provavelmente, vamos precisar de os entender…
Como nós também vacilamos muitas vezes, sempre haverá alguém que nos compreenda.
No fim, o grande mistério é que nunca saberemos em que estação vamos sair, nem, muito menos, onde sairão os nossos companheiros, nem sequer, aquele que está sentado ao nosso lado.
Fico a pensar se, quando sair do comboio, sentirei nostalgia…
Acredito que sim.
Separar-me de alguns amigos com quem fiz a viagem, será doloroso.
Deixar que os meus filhos sigam sozinhos, será muito triste.
Mas agarro-me à esperança que, em algum momento, chegarei à estação principal e terei a grande emoção de vê-los chegar com uma bagagem que não tinham quando embarcaram.
O que me fará feliz, será pensar que colaborei para que a sua bagagem crescesse e se tornasse valiosa.
Meu amigo, façamos com que a nossa estadia neste comboio seja tranquila e que tenha valido a pena.
Esforcemo-nos para que, quando chegue o momento de desembarcar, o nosso lugar vazio deixe saudades e umas lindas recordações para todos os que continuam a viagem.
Para ti, que és parte do meu comboio, desejo-te uma…
… Viagem Feliz…

terça-feira, 19 de outubro de 2010

À PROCURA DA PALAVRA

P. Vítor Gonçalves

DOMINGO XXIX Ano C

“Quando voltar o Filho do homem

encontrará fé sobre esta terra?” ”

Lc 18, 8

A fé subterrânea

A feliz epopeia do resgate dos mineiros chilenos uniu-nos numa audiência mundial só comparável ao drama do 11 de Setembro, em Nova Iorque, há 9 anos. Hora a hora a terra ia trazendo à luz do dia, com o simbolismo de uma ressurreição (Fénix, a ave mitológica que renascia das cinzas, era o nome da cápsula salvadora) cada um dos 33 mineiros e os salvadores que tinham descido para ajudar. Nas camisolas de todos um agradecimento: “Gracias, Señor!” Não sei se Jesus encontrará, um dia, fé “sobre” esta terra, mas debaixo dela, certamente.

Não sabemos que justiça pedia a viúva do evangelho de hoje. Na tradição bíblica as viúvas são o símbolo de todos os desfavorecidos e abandonados. Ninguém as defende, não há reformas nem seguranças sociais que as apoiem. É porta-voz dos injustiçados do mundo, de quem não tem vez nem voz, mas encarna a perseverança ou o desespero de não desistir de gritar. Em vários momentos Jesus aponta a força da perseverança: o amigo inoportuno a pedir pão, a mulher siro-fenícia que pede a cura da filha, o cego de Jericó que grita por um milagre. Baseado na experiência da natureza o povo diz na sua sabedoria: “Água mole em pedra dura…tanto dá até que fura”! De tanto desejar milagres esquecemos que a maioria deles dão muito trabalho, precisam de muita insistência!

A oração será também uma luta? Como a de Jacob junto à torrente de Jaboc até ao romper da aurora (Gn 32,25)? É luta contra a auto-suficiência que nos isola, e contra a história que nos oprime, porque a vontade de Deus é comunhão e justiça. Quando rezamos lutamos por um sonho, por uma vida mais abundante, por um reino que ainda não está realizado. Dessa luta falava o segundo mineiro a “ressuscitar” da terra: “Estava com Deus e com o Diabo. Eles lutaram por mim e Deus ganhou. Nunca pensei, nem um minuto, que Deus não me tirasse dali. Eu acredito que Deus testa as pessoas e acredito que temos de confrontar coisas na vida como as que nós tivemos que defrontar lá em baixo.” Uma luta que nos aponta as muitas que temos de travar neste “buraco de crise” em que estamos, não é?

A oração é, verdadeiramente, “um problema político”, como dizia o teólogo Yves Congar. Porque nos obriga a deixarmos de olhar para o próprio umbigo e a construir com Deus um mundo mais justo para todos. Porque é um grito contra a injusta distribuição das riquezas do mundo e o escândalo dos excessos. Porque nos mostra tão dependentes uns dos outros e desmascara a desumanidade de quem se julga acima de todos. A oração sintoniza-nos com o projecto de felicidade que Deus quer fazer connosco! E nunca sem nós!

domingo, 10 de outubro de 2010

EXPOSIÇÃO A NÃO PERDER!

Na Trienal de Arquitectura de Lisboa.

Mais em http://www.appletonsquare.pt/ e
em http://www.trienaldelisboa.com/

A igreja de Santa Isabel, na freguesia [de Santa Isabel ] em Lisboa, é como uma pedra preciosa guardada dentro de uma caixa escura com uma sombria tampa cinzenta. A luz que entra pelas janelas é largamente absorvida pelo tecto preto-mate, o que visualmente torna o espaço muito pesado, impedindo-o de respirar e desenvolver visualmente o volume desejado.
De facto, a primeira impressão que o visitante tem é um pouco deprimente – sem dúvida o oposto do que era e é pretendido: tudo no espaço foi concebido para provocar um sentimento de elevação: fiel às regras de Alberti, os elementos arquitectónicos da base são visualmente mais pesados e escuros do que os do topo, onde estão situadas as janelas, e a proximidade destas à abóbada, juntamente com o ângulo dos painéis reflectores directamente sob essas janelas, não deixa dúvida que o tecto era suposto ser a continuação do movimento para a luz, numa tonalidade suave que reflectisse e distribuísse uniformemente a luz no espaço inferior.
O meu objectivo seria o de completar a intenção original do projecto arquitectural, substituindo o sufocante manto cinzento por um céu aberto. O espaço tornar-se-á muito mais acolhedor e forte e será mais apelativo à meditação. Em vez da presente cobertura sombria e fria, terá uma jubilante abertura para um céu cósmico.

Michael Biberstein, 2010

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Encontros do Lumiar



Clic na imagem para aumentar e para mais informações sobre o Programa dos Encontros do Lumiar pode ir ao site das Monjas Dominicanas.

domingo, 19 de setembro de 2010

NÃO DEIXAR DE LER, NÃO DEIXAR DE VÊR

Saber ouvir...

Não deixar de ler aqui



No cinema Alvalade... imperdivel!!!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Duas entrevistas a não perder...


José Mattoso in Revista Ler, Livros & Leitores nº Setembro 2010.


D. Manuel Clemente in Público P2 6 SET. 2010.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Da mais fina flor...


(gafe contada no Facebook pela jornalista da Antena 1, Célia de Sousa)


Na Universidade de Verão do PSD, o Pe. Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade, saiu-se com esta "anedota" há dias em Castelo de Vide:

"Costumo dizer que a igreja precisa muito das mulheres... senão quem é que fazia as limpezas?!"

A assistência riu e aplaudiu.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Em 2050 rebentamos a escala!!!!

«A Balança tecnológica portuguesa tornou-se persistentemente positiva.
Quer dizer, Portugal passou a integrar o conjunto de países que exportam mais bens e serviços do que aqueles que importam».
Engº José Sócrates, Primeiro Ministro de Portugal, frase na página do Portugal Tecnológico 2008, 2009 e 2010

terça-feira, 20 de julho de 2010

terça-feira, 13 de julho de 2010

Sinos que nos tocam...


A Igreja às vezes é torta mas não deixa de ser Igreja!

sexta-feira, 9 de julho de 2010

terça-feira, 6 de julho de 2010

O Universo é uma casca de noz ...



A fotografia é um aperitivo, o universo numa casca de noz feito da radiação electromagnética no extremo do infra-vermelho. O telescópio Planck está a trabalhar há mais de um ano, e ofereceu agora as primeiras fotografias de um céu que só ele vê.

in PÚBLICO 05.07.2010

segunda-feira, 5 de julho de 2010

segunda-feira, 28 de junho de 2010

ABSOLUTAMENTE IMPERDÍVEL!


Mais informações: aqui e acoli.

POVOpeople É uma exposição que nos enche as medidas e que nos faz acreditar que ainda é possível fazer coisas com muita qualidade no panorama cultural Português!